São Paulo, 29 (AE) - O Ministério Público de São Paulo abriu, hoje, inquérito para investigar os riscos que oferece à população a presença de urânio em concentrações consideradas nocivas em vegetais e animais. A contaminação de alimentos com urânio foi constatada por uma pesquisa que está sendo conduzida pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). "Diante da seriedade das denúncias, solicitaremos informações ao Instituto de Física para verificar se o Ministério Público intervirá, e de que forma, para evitar que alimentos com urânio contaminem a população", disse o promotor Vidal Serrano Nunes Júnior, do Grupo de Atuação Especial de Saúde Pública e da Saúde do Consumidor do MP.
De acordo com o professor João Arruda, do Instituto de Física da USP, os testes realizados com vegetais e animais comprovaram a presença de urânio em níveis acima dos recomendados em alimentos, por meio da técnica de microanálise nuclear - a mesma que constatou, há cerca de dez anos, a presença de urânio em 12 marcas de cigarros. Os pesquisadores descobriram que a contaminação de plantas e animais tem a mesma origem: as rochas fosfáticas, que no Brasil apresentam uma grande concentração de urânio associado, que têm como subprodutos diretos e indiretos os fertilizantes, usados na agricultura, e o fosfato bicálcico, suplemento mineral para animais.
Segundo Arruda, foram testadas 12 marcas de fosfato bicálcico, em que foi constatada a presença de urânio numa proporção de 2 a 200 partes por milhão (ppm). "O máximo recomendado para a ingestão crônica (alimentação diária) é 3 ppm de urânio por dia", disse. Arruda acrescentou que o fosfato bicálcico compõe 30% da dieta bovina e 50% da alimentação dos frangos. Nos testes realizados até o momento, os pesquisadores constataram que a alface, por exemplo, retém 30% do urânio que absorve pela raiz. Em ratos de laboratório, o urânio fornecido com a ração instalou-se em grandes quantidades nos rins, fígado, coração e ossos.

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