MP vai acompanhar investigações sobre morte de estudante em shopping de SP
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 11 (AE) - Os promotores do 5.º Tribunal do Júri do Fórum de Pinheiros vão acompanhar as investigações sobre a morte da estudante Sulamitha Schiesari, de 18 anos, que no dia 29 de março caiu de um dos andares do estacionamento do Shopping Iguatemi. A determinação foi do procurador-geral de Justiça do Estado, José Geraldo Brito Filomeno. "No momento, vamos manter o máximo sigilo a respeito dos procedimentos que iremos tomar, para não prejudicar as investigações", disse a promotora Mildres Gonzales Campos.
Os promotores obtiveram na Justiça mandado para apreender as fitas do sistema de vídeo do shopping, onde poderão estar gravadas imagens que antecederam a queda da estudante. O delegado Orlando Ivanov, titular do 15.º Distrito Policial, no Itaim-Bibi, e a delegada Rita de Cássia Siqueira da Silva, com base em depoimentos contraditórios de dois funcionários do Shopping Iguatemi, sustentavam a hipótese de suicídio. A versão é contestada pelos advogados Sérgio Magalhães Filho e Paulo Cremonesi, contratados pela família para realizar uma investigação paralela.
Com o impasse, o delegado-geral Marco Antônio Desgualdo transferiu as investigações do caso para o Departamento de Homicídios e de Proteção a Pessoa (DHPP). Rita de Cássia e Ivanov e um investigador do distrito foram afastados no sábado pelo secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, depois da prisão de um assaltante. Propina - Outra denúncia envolvendo o mesmo distrito policial e o Shopping Iguatemi será feita pelo deputado federal Celso Russomano (PPB). Ele envia até sexta-feira ofício para que a Corregedoria da Polícia Civil apure denúncias de que o shopping, na Avenida Faria Lima, no Jardim Europa, contribui todos os meses com propinas para policiais do distrito.
"Vou pedir que se faça um levantamento na contabilidade e nas folhas de pagamento do shopping para verificar se essa gratificação realmente é paga mensalmente aos policiais daquele distrito", afirmou o parlamentar. Na semana passada, Russomano foi procurado por uma pessoa que se dizia funcionário do shopping. "Ele me disse que todos os meses essa contribuição era feita diretamente na delegacia, mas preferiu não revelar o valor nem a quem era entregue o dinheiro, pois isso o denunciaria e a direção do shopping iria saber quem estava fazendo a denúncia", explicou o deputado.
A direção do shopping negou-se a comentar o assunto, conforme informou sua assessoria de imprensa. A mesma postura foi adotada pela empresa no caso da morte da estudante Sulamitha.


