Maringá - Após reunião realizada na tarde de ontem com representantes da Sanepar, o promotor de Direitos Constitucionais e Defesa do Consumidor, Maurício Kalache, recomendou a suspensão imediata da leitura de água potável nas unidades consumidoras, que sofrem desabastecimento desde o último 12 em Maringá, no Noroeste. De acordo com o documento, a leitura deve ser reiniciada a partir da próxima segunda-feira. Além disso, o MP recomendou a adoção de medidas para acordos amigáveis com as pessoas prejudicadas pela interrupção do serviço e reforço no atendimento presencial e virtual, pela internet ou pelo telefone, em regime especial pelo prazo de, no mínimo, 60 dias.
Na última sexta-feira, o Ministério Público (MP) abriu um inquérito civil para apurar o desabastecimento em Maringá, após as fortes chuvas que provocaram danos em unidades de captação e tratamento da Sanepar no Norte e Noroeste do Estado. Em ofício encaminhado à Sanepar e a prefeitura, o promotor afirma que o objetivo é "verificar a extensão dos danos materiais e morais coletivos" causados durante a falta de abastecimento no município. Ele ainda lembra que a suposta presença de fluxo de ar na tubulação pode interferir nos registros dos hidrômetros. Kalache ainda solicitou o encaminhamento de cópia do contrato da prefeitura com a Sanepar e aditivos da concessão, bem como informações sobre as providências jurídicas que serão adotadas pela administração municipal.
A Sanepar informou que ainda não foi notificada oficialmente. Já o setor de comunicação da Prefeitura de Maringá disse que o ofício foi encaminhado para a análise da Procuradoria Jurídica.
Em nota, a Sanepar informou que mais de 90% da população maringaense já estava sendo atendida pelo Rio Pirapó a partir da manhã de ontem, após o funcionamento de mais um conjunto de motobomba na estação de tratamento. Um novo motor seria instalado no período da tarde com normalização gradativa do abastecimento no município até o fim da noite. No entanto, os bairros localizados em regiões mais altas ainda enfrentavam problemas no abastecimento por causa da baixa pressão na rede.

PROCON
O diretor do Procon de Maringá, Mário Hossokawa, informou que o órgão de defesa do consumidor cobrou explicações da Sanepar sobre os problemas no abastecimento enfrentados na última semana. O prazo para defesa é de dez dias e a empresa pode até ser multada na conclusão do procedimento. "A concessionária presta um serviço essencial e deveria estar preparada para casos de emergências com equipamentos e bombas reservas", comentou.
Hossokawa ainda prometeu fiscalizar a cobrança da taxa mínima da água referente ao mês de janeiro. "Nós entendemos que se o consumidor não teve direito de utilizar o serviço durante um período, ele deve ter um desconto proporcional. Já os bares, restaurantes e lanchonetes prejudicados podem entrar com ações individuais ou coletivas", orientou.

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