MP questiona valor a ser pago à Araupel
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério Público (MP) federal quer ter certeza de que é justo o valor de R$ 75 milhões oferecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) à empresa Araupel pelas benfeitorias nas fazendas de reflorestamento Rio das Cobras e Pinhal Ralo, em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel), antes de homologar o acordo de pagamento e nulidade do título da área. Em uma audiência na Justiça Federal de Cascavel ontem, a procuradora da república Camila Ghantouz foi contra a homologação do acordo até que se tenha um laudo sobre o valor emitido pelo MP. O Incra vai pagar pelas benfeitorias do local e adquirir área para assentar mais de 1,5 mil famílias de sem-terra. O litígio se refere a 25 mil hectares nas duas fazendas e cerca de 2,5 mil famílias ocupam a área.
''Como é dinheiro público que está envolvido, o MP precisa agir com cautela e verificar se o valor apresentado pelo laudo do Incra é o correto. Estou tendo o apoio de um assessor técnico para avaliar essa quantia'', explicou a procuradora. Segundo ela, não há um prazo para que o laudo do MP fique pronto.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso de Lisboa de Lacerda, ressaltou que o pagamento das benfeitorias poderia ser feito por meio de um processo administrativo, mas o Instituto preferiu fazer judicialmente para que não houvesse questionamentos depois de homologado. Contudo, segundo ele, as benfeitorias valem até mais que R$ 75 milhões.
O juiz da 3 Vara da Justiça Federal de Cascavel, Fernando Appio, vai fazer inspeção na próxima terça-feira nas fazendas. Depois disso, vai decidir se pede também um laudo para verificar o valor oferecido pelo Incra.
O diretor da empresa Araupel, Luiz Roberto Ceron, afirmou que já foi aceito o valor oferecido pelo Incra e que a empresa só espera que a Justiça resolva as questões para pôr fim à situação.


