Rio, 24 (AE) - O Ministério Público Federal deve estudar esta semana a possibilidade de pedir à Receita Federal uma análise das declarações de Imposto de Renda do empresário Sérgio Bragança, um dos sócios da Macrométrica - consultoria da qual também era sócio o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. Os documentos podem revelar que Bragança declarou à Receita o envio de dinheiro para uma conta no exterior, na qual teria depositado US$ 1,6 milhão para Lopes.
A quantia não aparece na declaração do ex-presidente do BC apreendida em seu apartamento, mas, se o dinheiro estava na conta de seu ex-sócio, deveria ter sido declarada pelo empresário.
"Aparentemente, essa me parece ser a conclusão lógica"
afirmou o procurador da República Bruno Caiado, um dos encarregados das investigações. "Mas o melhor é esperarmos o processamento de toda a documentação e o estudo da Receita nas declarações de Lopes."
O Ministéro Público encaminhou à Justiça, na semana passada, o pedido para examinar as declarações de Imposto de Renda do ex-presidente do BC. Ontem (23), os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos confirmaram que, na declaração do ano passado, apreendida na casa de Lopes, não consta o depósito no exterior.
O procurador não descarta a hipótese de o Ministério Público pedir o mesmo estudo para as declarações de Bragança. "Esse tema possivelmente entrará em pauta, mas tudo vai depender da decisão do grupo de procuradores", afirmou.
Caiado descartou, no entanto, a possibilidade de uma operação de busca e apreensão de documentos na casa de Bragança, a exemplo do que ocorreu com Lopes. "A essa altura do campeonato, não há mais nada lá que interesse", disse.
Remessas - Em Brasília, o relator da CPI dos Bancos, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), confirmou a existência "fortes indícios" de irregularidades nas remessas feitas pelo Banco Marka para paraísos fiscais no exterior.
Segundo integrantes da CPI, que examinam os registros no livro-caixa do banco, "laranjas" e "fantasmas" estariam recebendo dinheiro enviado pelo Marka.
Seriam oito operações de remessas de cerca de US$ 1 milhão cada para Bahamas e Cayman, entre outros paraísos fiscais
entre 1998 e o início desse ano.

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