Londrina - O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais Paulo Tavares afirmou ontem que a abordagem de dois guardas municipais a um jovem de 26 anos no estacionamento da Câmara Municipal, na tarde do último dia 21, ''se trata, a princípio, de abuso de autoridade''. A declaração foi dada à FOLHA após a tomada de depoimento de Glauder Pereira de Souza, que recebeu golpes de cassetete e choques na nuca de um dos guardas. A reportagem presenciou e relatou em matéria exclusiva a ação dos guardas, que, naquele dia, alegaram desacato por parte do jovem, que teria sido confundido com um adolescente que tentara fugir de uma audiência no Fórum. Tavares encaminha hoje o depoimento ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, solicitando instauração de inquérito policial. ''Isso tem reflexos penais'', avaliou.
Também ontem, o prefeito Barbosa Neto (PDT) admitiu que a conduta empregada foi irregular. ''Houve realmente um exagero, faltou critério na abordagem, faltou respeito''. Barbosa se disse ''impressionado'' com o que leu na reportagem, mas ressalvou: ''Sabemos também que os guardas passaram por um treinamento muito rigoroso, e obviamente que em um universo 250 pessoas podem ocorrer erros de conduta, inexperiência, exageros, mas não queremos que seja e não é esse o comportamento da Guarda''. Alvos de um sindicância na qual serão ouvidos, os guardas estão afastados das ruas desde o dia 22.
Interno há três meses do Centro de Apoio Psicossocial (Caps) AD, na Região Sul, Souza disse ontem, após o depoimento, que ele e a família estão ''com medo''. Advogado voluntário do jovem, Thiago Giazzi citou que Souza passa pelo local dez vezes por semana. ''Sabemos que a Guarda usa um sistema de zoneamento para trabalhar, então provavelmente os que o abordaram já o tinham visto ali duas ou três vezes na semana. Não justifica a atitude que tomaram.''

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