Agência Estado
De Manaus
O procurador do Ministério Público Federal no Amazonas Ageu Florêncio pediu ontem à 6ª Câmara de Coordenação, em Brasília, que acione todos os órgãos federais e estaduais visando garantir a segurança dos líderes indígenas que vão participar do ato contra os festejos dos 500 anos do Descobrimento, em Porto Seguro (BA). A decisão de Florêncio foi motivada pelo ‘‘Manifesto Manaus: 500 Anos de Resistência Indígena, Negra e Popular’’, de sete lideranças ticunas do Amazonas.
No documento, os ticunas criticam a comemoração oficial dizendo que ‘‘é uma festa para elites colonialistas responsáveis pelo genocídio e massacre de índios, negros e pobres’’, e pediram garantias para que não sejam barrados nas fronteiras interestaduais. Florêncio enviará o documento à Fundação Nacional do Índio (Funai), Polícia Federal e ao Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). ‘‘Eles têm o direito e ir e vir’’, afirmou o procurador. Ele entende que a festa ‘‘deve ser, antes de tudo, uma reflexão sobre os massacres e perseguições que os índios e negros enfrentaram ao longo dos 500 anos’’.
Segundo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), cerca de 600 índios da Amazônia estarão em Porto Seguro no dia 22. A viagem para Porto Seguro começa hoje.

mockup