São Paulo, 10 (AE)- O Ministério Público Estadual vai propor à Secretaria de Segurança Pública a criação de uma força-tarefa envolvendo promotores e policiais, para coibir a violência das gangues neonazistas em São Paulo, que, no sábado, resultaram na morte de Edson Néris da Silva, 35 anos. A medida foi anunciada hoje pelo procurador e assessor de Direitos Humanos do MPE, Carlos Cardoso, durante encontro de entidades de minorias com a comissão de Direito Humanos da Assembléia Legislativa.
"Estamos indignados com o que aconteceu", disse o promotor. "Nós vamos propor a SSP uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores para localizar e identificar e neutralizar esses grupos". Apesar de essas gangues virem atuando desde o início da década de 80, os casos vinham sendo tratados isoladamente pela polícia e pelo MP. Até o momento, nós só temos informações fragmentadas sobre esses grupos; com a atuação conjunta, vamos buscar uma visão mais ampla do que ocorre". Cardoso disse que a proposta já está em discussão e será apresentada oficialmente ao secretário de Segurança Pública Marco Petrelluzzi, no início da próxima semana.
Durante o encontro, representantes de homossexuais, negros e nordestinos reclamaram da omissão da polícia e cobraram uma ação mais efetiva do Estado. De acordo com a militante lésbica, Rosane Lage, da organização não-governamental (ONG) Seinders of Life, a polícia também tem sido uma fonte de violência contra eles. Ela denunciou a indiferença e os maus-tratos que eles sofrem ao procurar uma delagacia para fazer denúncias. "A polícia não está preparada para lidar com essa situação, que acaba estimulando esse tipo de crime", disse.
Outras duas pessoas apresentaram como vítimas do mesmo grupo que matou Edson: o militante punk, Antônio de Pádua, de 41 anos, e o homossexual Marcos Daniel Braga Fernandes, de 31. Pádua disse ter reconhecido pelas fotos três membros da gangue dos carecas, que há cinco meses o teria espancado em Santo André
em companhia de três colegas. "Esses caras são os mesmos que nos espancaram; eram 15 que vieram prá cima dando botinada".
Exibindo cicatrizes no rosto, perna e braços, Marcos Daniel Fernandes quase teve o mesmo destino que Edson, no mesmo local, a Praça da República. No dia 6 de fevereiro do ano passado, começo da madrugada, Fernandes foi abordado por cerca de 20 jovens de cabeça raspada que sem nenhum motivo o agarraram e começaram a espancar. Ele recebeu chutes e pontapés e teve o maxilar quebrado, além de perfurações na perna e no abdôme.
Fernandes reconheceu uma moça da gangue, que está presa, entre os seus agressores. Ferido, ele tentou o auxílio da polícia, que segundo ele, não mostrou vontade em procurar os criminosos. Para ele, se isso tivesse ocorrido, esse incidente não teria se repetido. "Eles acabaram com a minha vida, e com o meu trabalho. Não sou mais uma pessoa normal desde aquele dia". Os dois foram encaminhados pelo delegado da Seccional Centro, Jorge Carrasco, para fazer o reconhecimento hoje a noite. O delegado prometeu rapidez na apuração. "Temos o compromisso de dar uma resposta rápida para isso", afirmou.

mockup