MP quer bloquear dinheiro de 'Comendador'
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quinta-feira, 17 de abril de 2003
Agência Estado 
Cuiabá - O Ministério Público irá requisitar, por intermédio do Ministério da Justiça, o bloqueio dos US$ 45 milhões do empresário João Arcanjo Ribeiro, o ''Comendador'', encontrados em contas bancárias uruguaias. Arcanjo é acusado de chefiar o crime organizado em Mato Grosso.
O saldo bancário, segundo o diretor geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, foi localizado após a apreensão de documentos na residência do ''Comendador'', em Cuiabá. Foragido em 5 de dezembro de 2002, o bicheiro foi preso dia 10 em Montevidéu com sua mulher Sílvia Shirata e o segurança Antônio Carlos Aidar.
As contas, informou o procurador da República Pedro Taques, ''eram irrigadas com milhões de reais oriundos dos vários crimes perpetrados pela organização criminosa em evidente prática de evasão de divisas''. Segundo ele, o dinheiro era retirado do território nacional das mais variadas formas e modos, e mantidas no exterior sem qualquer declaração às autoridades brasileiras.
A Polícia Federal e o Ministério Público acreditam que o empresário montou no Uruguai um esquema de lavagem e envio de dinheiro para o Brasil. Arcanjo teria colocado em prática esquemas de reintrodução legal no Brasil de cerca de US$ 30 milhões enviados de forma ilícita ao Uruguai. O Uruguai é conhecido como um paraíso fiscal sul-americano. Há facilidades para a abertura de contas sigilosas e sociedades anônimas de fachada. A DNII (Direção Nacional de Informação e Inteligência) suspeita que o operador financeiro A.O.O.S a polícia uruguaia não fornece nomes de suspeitos preso no Uruguai, atuaria como testa-de-ferro de Arcanjo naquele país.
Arcanjo é dono ou tem participação em nove financeiras, um shopping center, uma distribuidora de petróleo, hotéis um deles em Orlando, nos Estados Unidos , rádios, construtora, estacionamentos, um avião, além de 10 fazendas. Todos esses bens estão indisponíveis. O ex-policial teria acumulado fortuna em menos de duas décadas explorando o jogo do bicho em Mato Grosso. O cruzamento de dados da Receita Federal e do Banco Central mostra que a diferença entre o que as empresas de João Arcanjo Ribeiro declararam e o que movimentaram é de cerca de R$ 900 milhões nos últimos quatro anos.
O governo brasileiro protocolou quarta-feira pedido de prisão preventiva com o objetivo de extradição do empresário. Antes da extradição, Arcanjo deverá responder a processo por crime de falsidade ideológica no Uruguai. Ele é acusado de entrar no país com passaporte e identidade falsos. Arcanjo usava o nome de Alexandre Juvenile e teria tentado subornar o policial que o prendeu, oferecendo US$ 150 mil.


