MP quer apurar as causas da epidemia
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Dimitri do Vale 
O Ministério Público entrou na investigação da cólera para elucidar o que teria provocado a disseminação da doença em Paranaguá. Os casos confirmados já passam de 300 no Paraná. O escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), com sede no município, a Secretaria Municipal de Saúde e a Vigilância Sanitária da cidade receberam pedidos de informações da promotora de Justiça Cláudia Cristina Rodrigues Martins para relatar as condições atuais do sistema de abastecimento de água, do lixão da cidade que está interditado e do esgoto sanitário.
Cláudia disse que quer apurar junto das autoridades estaduais e municipais se houve negligência que pudesse ter colaborado com a proliferação da epidemia. Precisamos saber se houve omissão, disse a promotora. Segundo ela, moradores de Paranaguá estão reclamando da água consumida na cidade. Muitos moradores consomem a água de poços artesianos abertos no município e que podem ter sido afetados pela epidemia. A promotora tem duas suspeitas. Uma recai sobre o lixão e a outra no sistema de esgoto sanitário da cidade.
A promotoria requisitou informações sobre a possibilidade de contaminação do lençol freático da região, explicou Cláudia Martins. As suspeitas indicam que os danos poderiam ter sido provocados pelo chorume produzido pelo lixão de Paranaguá ou através do sistema de esgoto sanitário, jogado diretamente nos rios e dali para o mar.
O lixão está interditado desde 1997 porque a área onde estava instalado é próxima do lençol freático. A promotora espera receber informações mais concretas nos próximos dias. É necessário que o foco do problema seja identificado rapidamente, insistiu. Os pedidos de informações foram feitos em razão da proliferação da cólera, acrescentou a promotora.


