Apucarana – O Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu ontem mais dois empresários supostamente ligados ao contrabando de roupas falsificadas em Apucarana. Um dos detidos é esposa do vereador Mauro Bertoli (PTB). Em uma das três empresas dela foram apreendidos cerca de 10 mil bonés e camisetas que imitavam marcas famosas.
Maria Aparecida Maronezi Bertoli foi presa em flagrante na região central da cidade na companhia de um sócio. As investigações revelaram que as empresas tinham funções comerciais bem distintas. "As três empresas funcionavam no mesmo endereço. Uma era legal e produzia uma marca própria, outra atendia apenas pedidos de terceiros e a última era especializada em produção de produtos falsificados", explicou o promotor Vilmar Antonio Fonseca.
Segundo ele, a fábrica funcionava em um casebre para não chamar a atenção. Dentro do imóvel foram apreendidos fardos de camisetas e bonés falsificados. Além dos produtos também foram apreendidos documentos contábeis que revelariam a movimentação financeira do grupo.
Um dos materiais vincula o nome do vereador Mauro Bertoli. "O sócio se apresentou como representante legal, mas não tinha nenhuma procuração. Depois, como funcionário. O vereador já foi sócio das empresas, mas não faz mais parte do quadro societário. No entanto, anotações demonstram que ele ainda fazia retiradas durante a distribuição de dividendos", afirmou o promotor.
O petebista nega a acusação. "Não era sócio e não tenho vínculo nenhum."
O advogado Jeferson Policarpo da Silva, que defende a mulher do vereador, ingressou ontem com pedido de habeas corpus ainda ontem. Ele não atendeu as ligações feitas em seu celular para comentar o assunto.
A Operação Jolly Roger, desencadeada no início da semana, totaliza agora 26 prisões. O Gaeco identificou que empresários pagavam propina para agentes públicos fazerem vista grossa durante fiscalizações. Além do delegado chefe da 17ª Subdivisão de Apucarana, Valdir Abrahão, outros dois policiais foram presos durante a operação.
Ontem, o juiz da 2ª Vara Criminal de Apucarana, José Roberto Silvério, negou oito pedidos de habeas corpus aos empresários detidos na operação. No entanto, ele autorizou a reabertura das 12 fábricas lacradas desde que sejam produzidas apenas marcas próprias. Cerca de 3 mil empregados voltarão ao trabalho. Um grupo havia realizado protesto ontem no centro da cidade.
A promotoria pública acionou ontem a Delegacia Regional do Trabalho por irregularidades constatas nessas empresas. Em uma delas O MP constatou trabalho análogo à escravidão. "Um barracão funcionava em uma chácara sem ventiladores, pequenas janelas, sanitários horríveis e cozinha sem condição sanitária alguma. As empresas têm que respeitar o direito dos trabalhadores", afirmou o promotor Vilmar Antonio Fonseca.

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