MP prende integrantes de organização criminosa em Cornélio Procópio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
A 2ª Promotoria de Justiça de Cornélio Procópio, no Norte-Central paranaense, cumpriu nesta quarta-feira (10), sete mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva em investigação que apura a ocorrência de uma espécie de "tribunal do crime" no município. Os mandados foram cumpridos em conjunto com a Polícia Militar e a Polícia Civil.
Segundo o promotor Francisco Ilídio Lopes, na semana passada integrantes da Polícia Militar procuraram o Ministério Público e mostraram um vídeo em que aparece uma pessoa sendo agredida por diversas outras. "Eles apuraram que houve a execução de uma pena do chamado 'tribunal do crime' em Cornélio, pelo qual uma pessoa que teria delatado outra por tráfico de drogas teria sido submetida à pena de cinco minutos de agressões", destacou.
O promotor ressaltou que o delator apontou onde o traficante vendia drogas. Quando ocorreu a audiência judicial desse criminoso, ao saber que havia sido delatado, entrou em contato com pessoas que estavam em liberdade e pediu a punição de quem o denunciou. "Eles localizaram o delator, conduziram a uma casa abandonada e executaram a pena. Os agressores gravaram tudo para comprovar ao líder do grupo que a ordem foi cumprida. Durante a execução da pena desse 'tribunal' foi informado que ninguém poderia atingir o rosto para impedir a verificação da agressão pela polícia", destacou Lopes.
Com o trabalho do serviço reservado do 18º Batalhão de Polícia Militar de Cornélio Procópio foram identificadas as pessoas que participaram da ação. "Dois deles estavam com tornozeleira eletrônica. Pedimos o mapa ao Depen (Departamento Penitenciário) e ele nos deu a identificação das pessoas que estavam no local no momento da gravação do vídeo. Pedimos mandados de busca e apreensão e fomos ao esconderijo dessas pessoas no bairro Florêncio Rebolho, periferia de Cornélio Procópio, reduto dessas pessoas que estavam em liberdade", destacou. Segundo Lopes, os alvos da operação já estiveram envolvidos em diversas outras operações do Ministério Público, Polícia Militar e Polícia Civil.
Com a deflagração da operação o MP pediu a apreensão dos aparelhos celulares das pessoas que estavam na cadeia e pediu a quebra do sigilo deles para identificar como a ordem saiu de lá.
O Ministério Público vai para justificar as medidas de punição por associação criminosa e tortura, na modalidade castigo. "A pena por tortura é de dois a oito anos de reclusão e por associação criminosa a pena varia de um a três anos de reclusão. Aqueles que estavam em regime semiaberto e se envolveram nas agressões sofrerão regressão de regime e retornarão ao regime fechado até que o caso seja apurado", apontou.
Segundo o promotor, o MP tinha a notícia de que isso aconteceu em outras situações, mas até então tudo ficava no campo da denúncia. "Com esse vídeo foi a primeira vez que tivemos tudo comprovado", declarou.
Com a deflagração da operação o MP quer localizar a vítima para que ela preste depoimento. "Vamos oferecer eventuais proteções que a lei confere, com a inclusão dela no programa Provita, de proteção a vítimas e testemunhas. Quem tiver informações de seu paradeiro pode procurar o Ministério Público pelo telefone (43) 3524-2282".


