São Paulo, 13 (AE) - A promotora Eliana Passarelli, que acompanha as investigações da polícia sobre a morte do calouro Edison Tsung Chi Hsueh, de 22 anos, afirmou hoje que poderá denunciar por assassinato mais de 200 veteranos e calouros do curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) caso eles continuem omitindo a verdade. Ela solicitou a quebra do sigilo telefônico de 60 veteranos que participaram do trote no dia 22 de fevereiro, no Centro Acadêmico Osvaldo Cruz. Na madrugada do dia 23, um destes alunos ligou para o vigia perguntando se tudo estava bem. Às 7h30, o corpo de Hsueh foi encontrado no fundo da piscina por um vigilante. "Queremos identificar o aluno e saber qual a preocupação dele para ligar às 4 da madrugada".
Denúncias foram feitas hoje à Ouvidoria da Polícia e ao Departamento de Homicídios. As pessoas não se identificaram e passaram nomes de estudantes que teriam participado do trote aplicado ao calouro morto. Naquele dia, Hsueh festejava seu ingresso na Faculdade de Medicina da USP com dezenas de calouros. O laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML), entregue na segunda-feira à polícia, revelou que foram constatados ferimentos no peito, mão direita, coxa esquerda, perna esquerda e hematomas na coxa esquerda do rapaz.
A promotora informou que o laudo mudou a história montada pelos estudantes. "Nós já tinhamos quase certeza que se tratava de um assassinato e com os detalhes dos legistas vamos chamar novamente os 60 estudantes já ouvidos e saber dos outros 140 se também não sabem de nada". Vídeo - O delegado Marcelo Damas, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelo inquérito, tenta identificar o aluno que tem uma fita de vídeo com as cenas da festa. A polícia soube que alguns dos veteranos mais violentos foram filmados durante o trote. Os calouros eram agredidos, tinham os corpos pintados e, em seguida, jogados na piscina.
Os legistas que elaboraram o laudo concluíram que a morte do calouro foi por afogamento. "A constatação dos ferimentos no corpo indica que Hsueh deve ter sido espancado antes de ser atirado na piscina", afirmou a promotora. Os policiais disseram que a família de Hsueh esperava pelo resultado do laudo, pois, em nenhum momento, acreditou na versão apresentada pelos estudantes.

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