Agência Estado
De São Paulo
O Ministério Público informou ontem que o Complexo Imigrantes da Febem, onde ocorreu a rebelião no domingo resultando em quatro mortes e dezenas de feridos, deve ser interditado. Três das quatro alas estão completamente destruídas. A ação judicial determinando o fechamento será impetrada até o final da semana. Na noite de anteontem, três menores ainda conseguiram fugir do complexo escondidos em sacos de lixo. Um deles foi recapturado.
Ontem, o clima em frente à unidade era de apreensão. Pais buscavam informações sobre seus filhos e por pouco não ocorreu mais uma tragédia. A revolta de um dos pais, o perueiro M.F., de 37 anos, gerou um tumulto. ‘‘Estão obrigando nossos filhos a beber urina,’’ disse chorando. Ao ouvir a informação, um grupo de 15 mães, namoradas ou irmãs partiram para cima do monitor Roberto Brasil, que dava entrevista, aos gritos de ‘‘lincha, lincha’’.
O monitor se escondeu numa lanchonete e foi resgatado pela Tropa de Choque. O perueiro fez, ainda, várias acusações: ‘‘Nossos filhos estão sendo intimidados pelos policiais; não podem nem levantar a cabeça para conversar com a gente.’’ O filho dele está internado na Febem por roubo de carros e motos.
Em represália à tentativa de linchamento do monitor, o comando da Tropa de Choque na Febem suspendeu as visitas. O comando negou todas as acusações de M.F. e informou que os menores estão acompanhados de representantes do Conselho Tutelar do Menor, dos Direitos Humanos e Pastoral do menor.
Devido à rebelião, os funcionários da Febem paulista decidiram suspender a greve prevista para ter início ontem. Segundo Wilson Roberto da Luz, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo, outro fator para a suspensão foi a abertura de outro canal de negociação com o governo Covas, com a intermediação do deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, Vanderlei Macris (PSDB). Entre as reivindicações dos funcionários estão a melhora nas condições de trabalho e readequação do modelo de atuação da Febem.
O sindicalista explicou ainda que a categoria conseguiu uma liminar concedida pelo juiz do Tribunal Regional do Trabalho Edílson Rodrigues Limeira cancelando as demissões ocorridas na Febem. Covas admitiu ontem que o problema da Febem não tem solução no curto prazo.

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