São Paulo, 06 (AE) - O Ministério Público Estadual (MPE) vai pedir à Polícia Civil que investigue o superfaturamento de obras e o descumprimento de contratos ocorrido nas reformas do Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos. O promotor Marcelo Mendroni, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), enviará ofício pedindo a instauração de inquérito, com base em reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" hoje.
Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) nos custos do Grande Prêmio de Fórmula 1 de 1998 constatou que a empresa Cinzel usou metade dos pneus previstos na licitação. Com base na planilha de orçamento da empresa RJ Construções e Empreendimentos para manutenção do sistema elétrico e numa pesquisa de preços, a reportagem mostrou que a Prefeitura pagou pelo serviço preços superiores aos de mercado. Em três anos, o desembolso chegou a R$ 4,6 milhões.
Hoje, o prefeito Celso Pitta (sem partido) mandou a Corregedoria do Serviço Público Municipal apurar o caso. Ele também ordenou o afastamento temporário do coordenador da Fórmula 1 da Secretaria de Esportes, André Pinto Nogueira. Apesar das duas medidas, Pitta está certo de que não houve superfaturamento nas obras de preparação do autódromo para a realização dos GPs. Hoje, o técnico da secretaria Rubens Boerngen explicou que os preços que constam na planilha da RJ representam o valor do produto, mais o custo de fornecimento e de instalação.
Questionado sobre o motivo de haver descrição de preços dos produtos em uma página da planilha e de preços para a sua retirada e recolocação em outra, ele explicou que isso deve-se ao fato de a empresa ter de trocar os componentes que existiam antes da reforma. Roubo de fiação - Na planilha da RJ, é cobrada a retirada de mais de 75 quilômetros de fios e cabos elétricos. No mesmo documento, a RJ cobra a recolocação de mais de 4 quilômetros e o fornecimento de 75,3 km de fios novos. Conforme o técnico, essas alterações ocorreram, entre outros motivos, por causa do "roubo de fiação" e das exigências da Federação Internacional de Automobilismo. Responsável pelas medições feitas antes da contratação, Boerngen, formado em Química, não soube dizer o motivo das trocas.

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