O Ministério Público (MP) de Londrina pediu, no final da tarde de ontem, a prisão do médico londrinense Ludovico Brancalhão, por prescrever fórmulas emagrecedoras em desacordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O MP denunciou ainda outros três farmacêuticos da cidade, por também infringirem a resolução da Anvisa, que aprova o regulamento técnico de boas práticas de manipulação de medicamentos em farmácia.
Segundo o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, da Saúde Pública e da Saúde, Paulo Tavares, em meados de fevereiro foi solicitada à Vigilância Sanitária do município, uma autorização para envio do medicamento prescrito pelo médico, para o exterior. ''O médico e os farmacêuticos praticaram tráfico de entorpecentes. As pacientes do médico residem no Japão e o medicamento estava sendo enviado para lá. A Vigilância Sanitária negou essa guia e nos comunicou. A farmácia não podia ter feito esse medicamento'', salienta Tavares.
O pedido de prisão foi encaminhado à 5 Vara Criminal de Londrina. O MP apurou que o médico já havia preescrito a associação medicamentosa também para as mesmas pessoas, pelo menos por seis vezes, durante o período de três a quatro anos.
Segundo a prescrição médica, as pacientes deveriam ingerir uma única cápsula (num total de 120) duas vezes ao dias. As prescrições do médico foram um derivado anfetamínico (femproporex) com ansiolíticos ou calmantes, antidrepessivo (fluoxetina), diuréticos, laxantes, proteção gástrica e inibidor natural de apetite.
O uso em conjunto dessas substâncias pode causar reações adversas como taquicardia e insônia e também levar à morte. Segundo o promotor, os medicamentos são ''altamentes perigosos à vida humana e podem levar a dependência química e psíquica''. Tavares deve comunicar o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Conselho Regional de Farmácia (CRF) sobre a medida.
''Há alguns anos atrás tivemos aqui em Londrina a morte de uma paciente atendida por outro médico. Neste caso há um perigo em potencial, por isso devemos ser bem rigorosos. O MP ofereceu a denúncia pois as pessoas podem ser prejudicadas com esses medicamentos. Vamos anunciar oficialmente o CRM e o CRF ainda hoje'', disse o promotor.
Procurado pela Folha, no final da tarde de ontem, o advogado de Ludovico Brancalhão, Luiz Carlos Bortoletto, ainda não estava sabendo do pedido de prisão feito pelo MP. ''É um motivo de surpresa para mim. Não tenho como dizer nada pois ainda não tenho acesso aos autos. Quando conversei com ele a respeito disso, ele havia me dito que desconhecia a resolução. Mas, desde março, quando recebeu notificação a respeito de suas prescrições médicas, ele já havia alterado seu modo de trabalho. Vou me informar do caso e me comprometo a passar mais informações'', disse.

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