MP pede mais rigor na apuração de denúncias
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Renata Giraldi Agência Folha 
Brasília, DF - O Ministério Público do Distrito Federal e de Goiás, com o apoio do Ministério Público Federal, quer que os Conselhos Regionais de Medicina aumentem o rigor na apuração de denúncias médicas. O objetivo é evitar que profissionais como o médico Denísio Marcelo Caron continuem trabalhando normalmente.
Caron foi preso anteontem, acusado da morte de duas pacientes no Distrito Federal. Em Goiás, ele é acusado da morte de outras três. O advogado de Caron, Adolfo da Costa, entrou ontem com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do DF. O Tribunal informou que o pedido será analisado a partir de segunda-feira.
O promotor Diaulas Costa Ribeiro, do Pró-Vida (Promotoria de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde do Ministério Público do DF), afirmou que os processos nos CRMs, em geral, são conduzidos lentamente. Não adianta julgar um caso anos depois de ter ocorrido, pois o problema pode não ter mais solução ou a vítima estar morta.
A Promotoria também pretende promover na próxima semana uma reunião com diretores de hospitais particulares do DF para estabelecer regras gerais de internação, determinadas por regimentos internos.
O presidente do CRM-DF, Luiz Galvão Salinas, disse que a demora na conclusão dos processos é provocada pela falta de tempo. Segundo ele, os conselheiros atuam nos CRMs nas suas horas vagas. A decisão dos promotores de pressionar os conselhos foi estimulada pelas acusações contra Caron, que é investigado em outras 35 sindicâncias em Goiás.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luiz Carlos Garcia, sugeriu aos pacientes que se informem sobre a vida profissional dos médicos que procuram. Esses casos todos nos preocupam. Há informações na internet sobre os médicos que têm o certificado de qualidade fornecido por nós. É o principal meio de garantir alguma segurança aos pacientes.
Nova morte - Mais uma paciente submetida à cirurgia plástica e lipoaspiração morreu anteontem em Brasília. Ana Pozedon, 52, operada pelo médico José Nava Rodrigues Neto, sofreu uma parada cardíaca nove dias depois de fazer uma lipoescultura na cintura e plásticas de abdômen e mama.
O caso ainda não chegou ao CRM-DF, mas Nava se antecipou e procurou o Ministério Público. Ele foi orientado a fazer uma autodelação, na qual descreverá os procedimentos médicos, e em seguida será instaurado processo. Ele tem boa reputação entre os profissionais de cirurgia plástica.
Em Campo Grande (MS), o médico Alberto Jorge Rondon é acusado de mutilar 121 pacientes, do total de 434 que operou.
Caron e Rondon não tinham o título de qualidade fornecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Para obtê-lo, o médico deve fazer dois anos de residência médica em cirurgia geral, depois mais três anos em cirurgia plástica e por último um teste.
Aproximadamente 300 instituições no País, destinadas à residência médica, são avaliadas permanentemente pelo Ministério da Educação. Informações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica: www.cirurgiaplastica .org.br


