Curitiba- O Ministério Público (MP) federal em Guarapuava expediu uma recomendação ao Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) para que o órgão interdite o tráfego na ponte Manoel Ribas, sobre o Rio dos Arcos, na BR-476, na entrada de União da Vitória. A recomendação foi feita porque um relatório técnico apontou falhas na estrutura da ponte. Caso o pedido não seja atendido em dois dias, o MP ameaça entrar com uma ação pedido a interdição na Justiça.
O problema da BR-476 não está só na ponte Manoel Ribas e já vem causando sérios transtornos aos motoristas há mais de um ano. O estado de conservação de toda a estrada é caótico. Em função disto, há cerca de um mês o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná interditou a ponte sobre o Rio Iguaçu, em São Mateus do Sul. Pouco mais de uma semana depois interditou 130 quilômetros da rodovia. Porém, o prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri (PSDB), já vem há muito tempo reclamando do mau estado da ponte na entrada de sua cidade. Até agora, apenas a ponte de São Mateus foi arrumada por iniciativa da própria prefeitura.
O coordenador do Dnit no Paraná, David Gouvêa, afirmou que não pode atender a recomendação do MP e interditar a ponte. Segundo ele, isso só poderia ser feito se houvesse uma decisão liminar da Justiça Federal. Isso porque a BR-476 faz parte dos 945 quilômetros de estradas paranaenses que estão sem cuidados porque nem o Dnit nem o DER assumem a responsabilidade por eles. Em 2002, o governo federal editou a Medida Provisória (MP) 82 que transferiu os trechos para o Estado. Porém, a MP foi vetada em 2003 e por isso o DER não reconhece a responsabilidade. Já o Dnit alega que a transferência já foi efetivada e os recursos repassados.
Há cerca de duas semanas a Justiça Federal de Cascavel expediu uma liminar, a pedido do MP federal, determinando que o Dnit conserte a ponte sobre o Rio Piquiri, na BR-272. O órgão recorreu da decisão, mas mesmo assim já interditou a ponte e está fazendo estudos sobre os reparos necessários. Mas, se ganhar a ação em instâncias superiores, as obras deverão parar no meio do caminho.

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