O Ministério Público pediu esta semana a interdição da Cadeia Pública de Paranavaí, no Noroeste do Estado. A promotoria da Comarca Judiciária ressaltou a precariedade da estrutura que implica na falta de segurança e higiene para os internos e funcionários.
De acordo com a promotora Andréa Fabiana Pussi Baradel, o prédio que abriga o minipresídio ficou parcialmente destruído após a rebelião promovida pelos detentos em 17 de dezembro do ano passado. Desde então, os detentos estão alojados de forma precária em um setor da unidade prisional. Neste período, os detentos também permanecem sem banho de sol. Além disso, a estrutura não obedece códigos de segurança contra pânico e incêndio do Corpo de Bombeiros.
O MP pede que seja feita, no prazo de 30 dias, a remoção de todos os presos para outras unidades do sistema penitenciário até que a estrutura seja reforma ou um outro prédio seja construído. O Departamento de Execução Penal (Depen) informou que ainda não havia sido notificado, mas adiantou que em no máximo uma semana a unidade deve receber reparos, com auxílio de mão de obra de detentos do regime semiaberto.
No início da tarde da última quinta-feira, um detento de 23 anos foi agredido até a morte por um grupo de internos da Cadeia Pública de Paranavaí. O ataque começou na hora do almoço, após João Paulo Gonçalves Lima furtar um chocolate de outro preso.
De acordo com o delegado-operacional da 8ª Subdivisão Policial (SDP), Carlos Henrique Rossato Gomes, cerca de 40 homens participaram das agressões. O corpo da vítima foi encontrado sem perfurações, mas com hematomas e contusões. Suspeita-se que a morte tenha sido provocada por alguma lesão na cabeça ou por asfixia. A causa oficial será apontada pelo laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Paranavaí.
A Polícia Civil já instaurou um inquérito para apurar os envolvidos no homicídio do rapaz. Lima estava na cadeia desde maio de 2014, quando foi preso em flagrante por roubo a mão armada. O delegado Rossato lembra que a situação da carceragem está "caótica" desde dezembro do ano passado, quando metade da estrutura foi completamente destruída pelos presos durante uma rebelião. Atualmente, os cerca de 260 internos ocupam um espaço capaz de receber apenas 50. A área de triagem, que funcionava em um contêiner no pátio da delegacia, foi interditada pelo Ministério Público (MP) devido às condições que apresentava - em média, 30 presos se espremiam onde deveria haver no máximo 12. "É um quadro de descaso, desde dezembro não foi feito nada para reparar os estragos e não houve qualquer transferência de presos para amenizar a situação", desabafa o policial. (Com Auber Silva/Grupo Folha).

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