Curitiba - O Ministério Público Estadual (MP-PR) pediu a interdição da cadeia pública de Pontal do Sul (Litoral do Estado). O requerimento, protocolado na semana passada pela promotora de Justiça da Comarca de Matinhos, Carolina Dias Aidar de Oliveira, foi devido a constatação de superlotação e falta de condições estruturais e de higiene para abrigar os presos.
No dia 20 de fevereiro, a FOLHA publicou uma matéria em que alertava sobre situação grave das delegacias do Litoral antes do feriado de Carnaval. Um levantamento mostrou, na época, que existiam 443 presos onde deveriam estar apenas 95 nas delegacias de Pontal do Sul, Matinhos, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Morretes. Naquele mês, a Secretaria da Segurança Pública esperava que a situação melhorasse em razão da compra de celas modulares, que até então não ocorreu.
A cadeia de Pontal do Sul tem capacidade para 18 detidos, mas, na última temporada, chegou a abrigar 76. Segundo o delegado titular, Otacílio Gimenes Bovolin, 40 presos dividiam o espaço ontem. ''É assim no Paraná inteiro. Eu estou no cargo há um ano e meio e sinto que a criminalidade só vem aumentando. E o que vamos fazer? Não dá para não cumprir o nosso papel de prender''. Ele questiona também a lentidão da Justiça em determinar a destinação dos presos, seja a liberdade ou a condenação em um presídio. ''Além do mais, 70% aqui são reincidentes e 98% têm alguma relação direta ou indiretamente com drogas. Mas, acredito que, mesmo sem as condições ideais, vemos resultado. Muitos presos chegam aqui um 'farrapo' por causa do vício e saem melhor, às vezes reabilitado'', comenta Bovolin.
Mas a promotora não foi tão otimista ao avaliar a situação da cadeia. ''Eles não podem tomar banho de sol, porque não há solário. Durante a vistoria, verificamos ainda que houve transbordamento de esgoto dentro das celas, o que está ocasionando mal cheiro em todo o local. A situação é tão grave que houve até um princípio de rebelião no início da semana passada'', afirmou a promotora, em nota divulgada pela assessoria de imprensa do MP-PR.
No pedido, que aguarda apreciação pelo Juízo Cível da comarca, a Promotoria requer a interdição imediata da cadeia, a transferência dos presos para outros locais e a realização de reformas urgentes. A Sesp informou que a Divisão de Infra-Estrutura da Polícia Civil tem trabalhado em regime de urgência para tentar resolver o problema da superlotação em delegacias em todo Paraná.

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