Londrina – Como parte das investigações sobre a violenta repressão policial que deixou mais de 200 servidores estaduais feridos em protesto realizado semana passada, no Centro Cívico, em Curitiba, o Ministério Público do Paraná informou ontem que expediu ofício ao governador Beto Richa (PSDB), ao secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, e ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel César Kogut, requisitando no prazo de 10 dias um relatório com informações detalhadas sobre as ações do poder público em torno da Assembleia Legislativa, desde o dia 25 de abril.
De acordo com a assessoria de imprensa do MP, foram solicitadas informações acerca do planejamento (plano de operação) e execução das ações policiais desencadeadas no Centro Cívico, entre os dias 25 e 29 de abril, "com clara especificação de recursos humanos, materiais, armas, animais explosivos e munições e outros equipamentos utilizados."
Nos pedidos, o MP-PR reiterou considerar a possibilidade de "injustificado descumprimento", por parte das três autoridades, da recomendação expedida pelo procurador-geral de Justiça Gilberto Giacoia, que visava garantir "máxima contenção, equilíbrio e moderação no exercício do poder de polícia, exigindo do poder público que, sem prejuízo da garantia da livre atividade parlamentar, também assegurasse o respeito a direitos fundamentais."

DEPOIMENTOS
O MP informou ainda que cerca de 80 pessoas prestaram depoimentos, e 150 e-mails, com imagens e vídeos, foram recebidos pelo órgão, no âmbito das investigações. O material servirá de subsídio ao procedimento criminal, já instaurado pelo MP-PR, e ao procedimento preparatório de inquérito civil. "As investigações buscam apurar as repercussões de natureza penal, no caso os excessos atribuídos às forças policiais empregados na operação, em sua completa cadeia de comando e subordinação", afirmou o MP, acrescentando que a investigação também apura violação de direitos fundamentais, entre os quais o cerceamento da liberdade de manifestação, de pensamento, de comunicação, de locomoção, de reunião pacífica, em locais abertos ao público, bem como o direito-dever de vigilante acompanhamento da atividade dos órgãos públicos e de representação política, "dos quais se espera máxima transparência, estrita legalidade, com o inerente dever de proteção à vida e à incolumidade física e à dignidade da pessoa humana."

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