MP pede fechamento total de Congonhas
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quarta-feira, 18 de julho de 2007
Vinícius Pinheiro<br>Agência Estado 
São Paulo-O Ministério Público Federal de São Paulo entrou ontem com ação civil pública, com pedido de liminar, para suspender todas as atividades do Aeroporto Internacional de Congonhas. A interrupção inclui as operações de pouso e decolagem nas pistas principal e auxiliar. A Justiça Federal confirmou o recebimento da ação, mas informou que o processo ainda não foi distribuído para nenhuma vara.
Na ação, os procuradores Fernanda Taubemblatt, Márcio Schusterschitz Araújo e Suzana Fairbanks de Oliveira pedem o fechamento de Congonhas até que sejam confirmadas as condições de segurança do aeroporto e afastadas as dúvidas trazidas pelo acidente de ontem com o avião da TAM. O Ministério Público solicita também a realização de perícia por entidade independente e externa aos quadros governamentais, a fim de evitar conflitos de interesses.
No início do ano, a pedido do Ministério Público, o juiz Ronald de Carvalho Filho concedeu liminar que impedia o pouso de aviões Fokker 100, Boeing 737-700 e Boeing 737-800 no aeroporto. Na ocasião, os procuradores defenderam a interdição total da pista, por conta das derrapagens de aviões em dias chuvosos, justamente o fato que provocou o acidente de ontem. A liminar foi derrubada a pedido da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a ação acabou extinta, segundo informações da Justiça Federal.
Padrões- O aeroporto de Congonhas não segue os padrões internacionais em termos de áreas de segurança. O alerta é da Associação Internacional de Pilotos que, ontem, emitiu um comunicado de Londres apontando para a necessidade de que todos os aeroportos do mundo contem com áreas suficientes ao final da pista de pouso para evitar acidentes.
Pelos padrões recomendados, a área de escape teria de ter no mínimo 240 metros a mais ao final da pista. Nos dois lados da pista, uma área o dobro de sua largura deve ser criada. No total, portanto, a recomendação é de que pelo menos 300 metros sejam reservados para áreas de escape.
''Estamos falando isso há 20 anos'', afirmam o pilotos. ''Se a vizinhança de Congonhas for analisada, essa área de escape é ainda mais importante'', alertam. Em locais onde a topografia não permite tal área, como em Congonhas, a solução seria instalar ''colchões mecânicos'' que acabam servindo como contenção. Esses sistemas de engenharia já existem em outros aeroportos e podem compensar a falta de espaço. O sistema consiste em uma área de cimento modificado que, com o peso do avião, cede e acaba freando a aeronave.
Segundo os pilotos, acidentes por ''falta de pista'' são os mais comuns na aviação. A entidade registra em média quatro por mês no mundo. ''Esse é um problema mundial e milhares de pistas não contam com a área necessária de escape.


