Após pedido do MP (Ministério Público), o corpo de Olga Aparecida dos Santos, 51, foi exumado na manhã desta quarta-feira (27) por conta de suspeita de intoxicação medicamentosa. A vítima morreu no último domingo após supostamente cair de um prédio na região central de Londrina. A promotora Susana Lacerda foi a autora do pedido ao diretor do IML (Instituto Médico Legal), Antônio Queiroz, para que fosse coletado material estomacal da vítima.

A defesa dos familiares de Luiz Garcia, marido de Olga, pediu a suspensão da exumação, o que não foi aceito. O advogado Marcelo Gaya disse que a defesa foi "surpreendida" com a data de exumação. "Não tivemos acesso a nenhuma peça do inquérito e não tínhamos conhecimento que o MP tivesse pedido a exumação", expôs. "Nossa intenção não era o cancelamento do exame, mas a suspensão para termos conhecimento do que se tratava".

Uma parte do estômago de Olga foi retirada e levada para exame no IML de Curitiba. Carlos Lamerato, que defende Luiz Garcia, disse que "não há expectativas" sobre o exame. Para ele, não houve crime nem intoxicação por remédios. Segundo Lamerato, Olga tinha histórico de consumo de medicamentos, mas a defesa não trabalha com essa hipótese. "Estão criminalizando uma tragédia familiar", disse.

Clayton Rodrigues, advogado dos três filhos de Olga, explicou que a "vontade da família é esclarecer todos os fatos, por isso foi pedida a exumação". "Há outras provas como manchas de sangue, materiais de limpeza guardados em um armário, o que acarretaria fraude processual, pela alteração da cena do crime", explicou.

Rodrigues também afirmou que a perícia verificou outras perfurações no corpo de Olga, no braço e no tronco, que parecem ser de uma faca, "o que desmistifica a hipótese da cirurgia bariátrica" levantada pela defesa dos suspeitos. "O próximo passo é aguardar a conclusão do laudo pericial", afirmou.

O diretor do IML disse que o laudo será encaminhado ainda nesta sexta-feira (29) para a Delegacia da Mulher. Luiz Garcia está em prisão domiciliar. Os outros suspeitos, Antônia e Amaury Garcia, irmãos de Luiz, e Cléverton, filho de Amaury, foram liberados após audiência de custódia realizada nesta terça-feira (26).

A PM (Polícia Militar) foi acionada na tarde de domingo (24) para atender chamado de suposto suicídio em prédio na rua Mato Grosso, no centro de Londrina. No entanto, a suspeita de suicídio logo passou a ser tratada como possível feminicídio pela Delegacia da Mulher.

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