Curitiba - O Ministério Público Estadual (MP-PR) pediu o arquivamento do inquérito policial militar que apura crimes de lesão corporal envolvendo policiais. A investigação se refere ao confronto entre policiais militares (PM) e professores, no dia 29 de abril do ano passado, durante manifestação em frente à Assembleia Legislativa, em Curitiba. Duzentas pessoas ficaram feridas.
O promotor de Justiça Paulo Lima explica que o inquérito foi instaurado para apurar a conduta dos policiais no dia do protesto. Segundo ele, não houve provas suficientes que indicassem os autores das agressões. A solicitação de arquivamento foi encaminhada para a Justiça Militar, que deverá se manifestar nos próximos dias. Lima esclareceu que, caso novas provas apareçam, o inquérito pode ser reaberto.
Outros investigações continuam em andamento e os policiais militares estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República por abuso de autoridade, explosão de artefato e utilização de gás asfixiante. Em junho do ano passado, o MP ajuizou uma ação civil pública contra o governador Beto Richa (PSDB) por improbidade administrativa, levando em consideração o confronto de 29 de abril. O então secretário estadual de Segurança, Fernando Francischini, e o ex-comandante da PM, César Kogut, também foram requeridos nessa ação, que ainda não foi julgada.

HISTÓRICO 12 DE FEVEREIRO
Um ano após a histórica ocupação do pátio da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná por aproximadamente 30 mil manifestantes, a maioria deles servidores públicos, um grupo de sindicalistas e representantes de entidades sociais se reuniu ontem em Curitiba, na sede da APP-Sindicato, para avaliar o que mudou na política do Estado desde então. Naquela ocasião, diante da pressão popular, os deputados da base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) acabaram recuando e desistindo de votar, ao menos temporariamente, o chamado "pacotaço" fiscal, que arrochava direitos trabalhistas.
Para o presidente da APP, Hermes Leão, apesar de, dois meses depois, a gestão tucana ter dado prosseguimento à reforma na Paranaprevidência, no episódio conhecido como "Massacre do Centro Cívico", o 12 de fevereiro de 2015 trouxe sim resultados positivos. O principal deles, diz, foi a extinção da comissão geral, o popular "tratoraço", artifício por meio do qual parlamentares agilizavam a aprovação de matérias de interesse do Executivo, sem análise prévia por parte das comissões temáticas da AL. "Foi um dia de vitória da mobilização e da participação social", resumiu.
Hermes lembrou que, até então, a ala governista dispunha de 47 dos 54 membros da Casa, número que diminuiu graças à instituição de uma bancada "independente". "Ficaram só os 32 ou 33 do camburão", alfinetou, em alusão à forma como alguns deputados ingressaram na AL, uma vez que os portões estavam cercados de manifestantes. "As movimentações e as greves, tanto de fevereiro como de abril, trouxeram também um ganho de ampliação da consciência, da cidadania do conjunto da população. Não basta negar a política; é preciso acompanhar cada parlamentar, se ele está ou não a favor da maioria do povo."
Presidente do Sindarspen, que representa os agentes penitenciários, Petruska Sviercoski tem avaliação semelhante, embora menos otimista. "Até hoje vemos o governo empurrando goela abaixo da população, através da sua maioria na Assembleia, projetos que ele bem entende", criticou. Como alerta para 2016, ela citou a mensagem 920/2015, encaminhada por Beto no fim do ano passado, que pode acabar com o desconto em folha da contribuição sindical dos servidores. "Está garantido na Constituição que a contribuição deve ser repassada independentemente da concordância do empregador. O que se está tentando fazer é atingir esse direito, justamente para tentar fragilizar as entidades sindicais".

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