Rio, 26 (AE) - O ex-policial militar Júlio Cesar Braga começou a ser julgado hoje à tarde no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Ele é acusado de participar da morte de 21 pessoas na favela de Vigário Geral, na madrugada de 30 de agosto de 1993. Apesar de ter oferecido a denúncia contra Braga e outras 33 pessoas, o Ministério Público pediu, no fim da tarde, a absolvição do ex-PM. O julgamento começou às 14h e a previsão era de que terminasse no fim da noite.
De acordo com o promotor Júlio Cesar Lima não foram encontrados elementos para a condenação de Braga, que está sendo julgado pelas 21 mortes e mais quatro tentativas de homicídio duplamente qualificado. "Avaliando o conjunto das provas, acho difícil a condenação, mas é preciso aguardar a decisão dos jurados", disse no início da tarde a assistente de acusação Cristina Leonardo.
Novo Laudo - Cristina afirmou que vai pedir à Polícia Federal, em Brasília, um novo laudo para constatar a veracidade das gravações das cinco fitas com supostas conversas entre réus que resultaram na instauração de um novo processo sobre a chacina."Como essas fitas foram periciadas pela mesma equipe da Universidade de Campinas (Unicamp), que preparou o laudo sobre a morte de Paulo César Farias, há indícios de que são duvidosas, por isso precisamos de um novo laudo", disse Cristina.
O julgamento dos acusados da chacina de Vigário Geral já resultou em duas condenações, em 1997, e dez absolvições, no ano passado. Outros 18 esperam julgamento e dois morreram antes de ser julgados. No processo que ficou conhecido como Vigário Geral II, mais 19 pessoas são acusadas de participação na chacina e aguardam o cumprimento de algumas diligências requeridas pelas partes para a inclusão em pauta de julgamento. Os nomes apareceram após a divulgação das cinco fitas.
Hoje 12 das 13 testemunhas arroladas pela acusação foram dispensadas. O major da PM Denisar quintas dos Santos foi ouvido no fim da tarde pelo juiz José Geraldo Antônio, que preside o 2º Tribunal do Júri.

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