Curitiba- O Ministério Público (MP) federal deve ingressar hoje com ação civil pública pedindo, liminarmente, que seja assegurado o número adequado de servidores no Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, para que não haja comprometimento em setores essenciais. A direção do HC encaminhou ofício ao MP, na manhã de ontem, informando da situação crítica no atendimento aos pacientes por conta da greve dos servidores técnico-administrativos, iniciada na última segunda-feira.
Em coletiva na tarde de ontem, a diretora de Assistência do HC, Mariângela Honório Pedrozo, informou que apenas 51 dos 250 auxiliares e técnicos de enfermagem do turno da manhã trabalharam. Situação semelhante se repetiu à tarde. A falta de servidores, segundo ela, está impedindo o internamento de pacientes. Apenas os casos graves estão sendo admitidos e, mesmo assim, o atendimento é precário. ''É a primeira vez que unidades críticas estão sendo afetadas dessa forma. Isso preocupa porque há pacientes que se tornam graves dentro do hospital'', afirmou a diretora.
Mariângela relatou que três pacientes que deram entrada, na madrugada de ontem, e que deveriam ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tiveram que passar pelos primeiros procedimentos no pronto-atendimento. Até a tarde de ontem, dois deles continuavam no setor, respirando por aparelhos. A UTI estava lotada e os pacientes, que poderiam ter alta do setor, não estavam sendo tranferidos por causa da falta de contingente na unidade semi-intensiva.
O médico residente Jean Carlo Bregalda interrompeu a entrevista para pedir providências à diretora em relação a um paciente que se submeteu a uma cirurgia para retirada de um tumor da coluna e que precisava de vaga na UTI. A preocupação do médico era de que o paciente tivesse complicações pela falta de cuidados essenciais. ''A situação é inaceitável porque quem está sofrendo é a população mais carente'', criticou Mariângela. Ela lembra que o HC é o maior hospital do Paraná que atende, exclusivamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O auxiliar de enfermagem Willian Gomes dos Reis, que aderiu à paralisação desde segunda-feira, disse que participou da reunião do comando de greve, na terça-feira, e que o compromisso foi de manter 50% do efetivo em todos os setores. No pronto-atendimento, onde trabalha, o percentual, segundo ele, chegou a 75% na noite de terça-feira para dar conta da demanda.

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