São Paulo, 28 (AE) - A promotora Mabel Schiavo Tucunduva Prieto de Sousa, da Promotoria da Habitação do Ministério Público de São Paulo, manteve, hoje, a interdição da Igreja Evangélica Apostólica Renascer em Cristo da Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, que oferece risco de desabamento. Engenheiros do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Departamento de controle do Uso de Imóveis (Contru) irão realizar ensaios na estrutura do telhado da igreja para verificar se o risco persiste, após a colocação de escoras metálicas.
"Caso o risco de desabamento esteja afastado, o templo será liberado", informou o engenheiro Carlos Alberto Venturelli
diretor do Contru. Juntamente com representantes da igreja, ele participou de uma audiência de quase duas horas com a promotora. No encontro, Mabel mostrou-se irritada com a grande quantidade de faxes enviados por fiéis pedindo a liberação do templo, que acabou prejudicando o expediente em sua sala.
No primeiro relatório técnico da inspeção da cobertura, sanidade biológica e análise estrutural do madeiramento da Igreja Renascer, concluído no dia 22 de fevereiro deste ano pelo IPT, consta a advertência: "Há risco de ruína total ou parcial da estrutura, agravado pelas condições atuais da tesoura T13, onde existe a possibilidade de uma possível ruptura na zona de apoio, o que acarretará mais uma sobrecarga nas tesouras adjacentes". Em consequência, o laudo recomenda "a interdição da edificação".
Do laudo, solicitado pelos próprios representantes da Renascer, consta uma foto do apoio da tesoura T13 "intensamente apodrecido", onde pode se observar "que uma chave de fenda foi totalmente introduzida na madeira apodrecida". Além disso, o madeiramento está sofrendo a ação de cupins e de infiltração de água. Já um relatório do Corpo de Bombeiros, assinado pelo tenente Marcel Euripes Scarpato Casassa no dia 11 de maio de 99, diz que "a edificação não possui condições mínimas de segurança". Em seguida, enumera várias irregularidades, entre elas a de que as saídas de emergência são insuficientes para lotação da edificação, os corredores de acesso as saídas estão obstruídos por andaimes em estrutura metálica. Além disso, o sistema de combate a incêndio estaria subdimensionado ou inoperante. Venturelli informou que só ficou sabendo dessas irregularidades dias atrás quando enviou um engenheiro ao local para verificar a capacidade de escoamento do templo em caso de sinistro. "Os representantes da Igreja haviam informado que havia 19 metros lineares de espaço nas portas, o que permitiria que o templo acomodasse 1.900 pessoas", afirmou o diretor do Contru. "Eles mentiram, pois foi constatado que havia apenas 11 metros lineares, o capacitaria o templo a receber 1.100 fiéis. "É uma irresponsabilidade e colocaram a vida dos fiéis em risco, pois quando o engenheiro chegou ao local havia mais de 3 mil pessoas", se queixou Venturelli. "O mais grave, foi que o engenheiro constatou que havia escoras metálicas sustentando o telhado", acrescentou. "foi ai que ficamos sabendo do laudo do IPT, que prevê a existência de risco de desabamento, a exemplo do que ocorreu com a Igreja Universal, em Osasco, e com o Supermercado Pão de Açúcar, no Itaim-Bibi."

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