MP leva atendimento à população fora de Londrina
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sábado, 30 de agosto de 2014
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Guaravera - O Ministério Público (MP) de Londrina realizou um mutirão inédito fora do município. Durante parte do dia de sábado, comunidades rurais da região que possuem menos acesso aos serviços públicos receberam atendimento jurídico de toda natureza. No total, cerca de 50 pessoas - entre promotores, advogados voluntários e estagiários - atenderam moradores do distrito de Guaravera e de Tamarana que tinham dúvidas ou precisavam resolver problemas. As pessoas puderam contar, ainda, com o auxílio de representantes de órgãos públicos, como Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) e o Ministério da Previdência Social - INSS.
De acordo com a promotora Cláudia Rodrigues de Morais Piovezan, o objetivo do mutirão é aproximar os serviços prestados pelo MP às comunidades que fazem parte da comarca de Londrina. "A distância dessas regiões da sede do MP dificulta que procurem por auxílio na resolução dos problemas. Pesquisas nos indicaram, inclusive, que a população dessas localidades nem conhecem o trabalho que prestamos. Nessa ação, conseguimos tirar dúvidas, realizar encaminhamentos e orientações aos cidadãos."
As dúvidas mais recorrentes, segundo ela, são sobre questões previdenciárias e de família. "Muitas pessoas querem a aposentadoria, mas não sabem como dar entrada no processo. Há casos em que as mulheres precisam requerer pensão alimentícia e não têm ideia de como iniciar o pedido. Ou, ainda, precisam de informações sobre programas de habitação e moradia", pontua. Outros assuntos procurados são sobre divórcio, investigação de paternidade, direitos e deveres de pessoas com deficiência, de crianças e adolescentes.
A população pôde levar, também, reclamações quanto a atendimentos na saúde, como falta de médicos e de remédios, problemas em escolas e creches, bem como situação de obras públicas. Foi o que fizeram os moradores de Guaravera, Airton Ramirez e Erveso Rosário dos Santos. Eles coletaram assinaturas de outras pessoas para reclamarem da situação precária em que está a rodoviária do distrito. "Está tudo abandonado e quebrado. Os banheiros estão sem condições de uso, luminárias estão quebradas, não existem bancos e nem mesmo um bebedouro de água. Já reclamamos ao prefeito e nada foi feito", conta Ramirez, de 74 anos. O pedido dos moradores foi protocolado e receberam um número para acompanharem o andamento da reclamação.
Aos 64 anos, Tereza Baptista tenta resolver três problemas de uma vez: conseguir aposentadoria, remédios controlados gratuitos para a filha e informações para pedido de pensão alimentícia para os dois netos que foram abandonado pelo pai. "Ganho R$ 700 para sustentar a casa. Quero ver se consigo uma aposentadoria melhor. Trabalhei na roça e como boia-fria a vida toda sem carteira assinada, então, preciso de ajuda." No caso dela, foi feita uma triagem para encaminhamento da situação. Para a aposentadoria, precisará de provas testemunhais. Já para os remédios, os advogados iriam verificar a possibilidade de ingresso em algum programa de saúde.
A ação ainda não tem previsão de ser realizada outras vezes nesse ano, mas, dependendo da adesão das comunidades, o MP vai avaliar a possibilidade de outros mutirões já no início do próximo ano.


