MP já ajuizou 42 ações por 'lavagem'
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O procurador da República (Ministério Público federal) em Cascavel, Celso Antônio Três, informou ontem já ter ajuizado 42 ações penais contra envolvidos na remessa de dinheiro de origem ilegal ou duvidosa para o exterior, geralmente através de contas fantasmas, na chamada lavagem de dinheiro. As duas últimas ações completadas ontem são contra Luciano Hang e seu primo Nilton Hang, respectivamente dono formal e testa-de-ferro da Havan Tecidos da Moda, atacadista com rede nos três estados do Sul.
Segundo o representante do MP, a empresa, que atua com têxteis, eletrodomésticos, bebidas e informática, é acusada também de envolvimento em milionário esquema de contrabando no Porto de Itajaí (SC). Celso Antônio Três relata que o MP federal obteve documentos que comprovariam o esquema de contrabando de importados, inclusive por meio de corrupção de responsáveis pela fiscalização no porto. Outros crimes são de sonegação fiscal e evasão de divisas - relacionados às investigações feitas pelo MP em Cascavel. -
Por intermédio de contas bancárias abertas em Cascavel, em nome de Marcos Alexandre de Souza, Valdete Pereira dos Santos e Anísia Santos, e com participação de casas de câmbio que faziam operações no eixo Cascavel-Foz do Iguaçu, e bancos do Paraguai, já foi comprovada a movimentação de R$ 562,5 mil, a partir de depósitos feitos em uma agência do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) em Brusque. O montante é apenas uma ponta da lavagem, pois há indicativos de que milhões tenham sido movimentados pela empresa, afirma Celso Antônio Três.
Alexandre, Valdete e Anísia são apenas laranjas, ou seja, pessoas que cedem o nome para abertura de contas para remessas ao exterior. O promotor federal explica que remessas são perfeitamente normais quando os que as fazem estão devidamente identificados, tenham comprovação (pela declaração do Imposto de Renda) de rendimentos, e paguem os tributos devidos. Não é o caso dos que usam os laranjas.
Três estima que suas investigações iniciadas há mais de dois anos levem à cerca de 200 ações penais. Entre os 42 processados já há vários com bens sequestrados para garantir a recuperação de prejuízos aos cofres públicos por crimes como sonegação e evasão de divisas, entre outros. Uma relação fornecida ao MP pelo Banco Central, por ordem judicial, indica cerca de 50 mil remessas feitas em todo o País no período de 92 a 98.
A lista mostra valores pequenos ou astronômicos. Apenas no ano passado, foram cerca de R$ 25 bilhões. Boa parte do dinheiro foi lavado em Cascavel e Foz do Iguaçu, de casas de câmbio para bancos paraguaios. Apenas em Cascavel, a Procuradoria identificou 33 contas de laranjas, pelas quais passaram R$ 450 milhões. O MP investiga uma conta laranja no posto do Banestado na Prefeitura de Cascavel, pela qual passaram R$ 450 mil entre setembro e dezembro do ano passado (período de eleições).
Um cheque de R$ 2 mil, emitido pelo laranja Moacir da Cruz Bueno foi usado para comprar votos de estudantes, sob o artifício de pagamento de festinhas e viagens de formatura. Bueno, identificado como sócio de uma empresa de publicidade que não existe, nunca apresentou declaração de renda. Estão identificados os repassadores do dinheiro para a corrupção eleitoral e os beneficiários, e falta saber a origem dos recursos, diz Celso Três, que por enquanto não pode dar mais detalhes do caso.Procurador da República diz que investigação comprovou esquema de remessa ilegal de dinheiro de uma empresa atacadista
Edson MazzettoInvestigaçãoCelso Antônio Três, procurador da República em Cascavel: Empresa é acusada de envolvimento em contrabando





