Rio Branco, 11 (AE) - O Ministério Público (MP) enviou para a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Acre documentos que comprovam a movimentação de R$ 24 milhões da "verba secreta" no governo de Orleir Cameli. "Há sérios indícios de que o dinheiro era usado em proveito próprio e não em ações governamentais", suspeita o promotor Osvaldo dAlbuquerque, encarregado das investigações.
A "verba secreta" é um suprimento de fundos do gabinete civil e da SSP para ser usado em casos de emergência, sem necessidade de prestação pública de contas. Investigado há um mês pelo MP, o caso chegou ao contabilista Edilberto Pereira Jansen, que afirmou ter feito vários saques do Banco do Acre (Banacre) e entregue o dinheiro para o ex-secretário de Fazenda Raimundo Nonato de Queiroz e para Cameli. "Eu aceitava fazer aquilo porque era mandado", disse Jansen, que fez retiradas de R$ 1,4 milhão, a pedido de Queiroz e Cameli.
São também citados no processo a ex-secretária do gabinete de Cameli Elizabeth Gama e o ex-secretário de Administração Sergio Quintanilha, entre outros envolvidos. Procurada há uma semana pela Justiça, Elizabeth reapareceu hoje e disse que iria depor na próxima semana.
"Ninguém sabia o que era feito do dinheiro porque se tratava de verba de caráter reservado", disse Jansen. "O contador é o típico caso de quem foi apenas usado para pegar o dinheiro", explicou o promotor. Cameli e Queiroz podem ser processados por peculato. Investigado em três processos no MP, Cameli pediu hoje ao comando-geral da Polícia Militar reforço na segurança pessoal, alegando estar sofrendo ameaças de morte.

mockup