MP investiga tráfico de meninas no Sul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Agência Folha e France Presse 
O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul investiga uma rota de tráfico de meninas do Paraná e Santa Catarina que são exploradas sexualmente em Porto Alegre (RS), e, de lá, enviadas para os outros países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai).
Segundo informações apresentadas ontem no 1º Seminário do Fórum Catarinense pelo Fim da Violência e da Exploração Sexual Infanto-Juvenil, a rota passaria por Pato Branco (PR), Chapecó (SC), Porto Alegre (RS) até chegar à fronteira brasileira em Uruguaiana (RS). Segundo a deputada estadual eleita Maria do Rosário Nunes (PT-RS), há em Uruguaiana quatro processos sobre tráfico de meninas.
Segundo informações levantadas pelos conselhos tutelares das cidades, a partir da Argentina, parte das meninas seria enviada para Espanha e Estados Unidos. Mas é difícil levantar dados numéricos. Não temos nem estimativa de número de crianças que podem ter caído nessa rede, disse a deputada Nunes.
Para combater a prostituição infantil e os abusos domésticos, foi criado há seis meses o fórum catarinense, uma iniciativa inédita no país. Em Chapecó, após a criação do fórum, as denúncias de abusos triplicaram. Em Chapecó e Indaial (SC), foram aprovadas leis municipais que mandam fechar bares, hotéis e motéis que mantenham crianças em situação de risco ou sejam exploradas sexualmente.
Espanha A polícia espanhola prendeu três envolvidos numa rede de prostituição, que introduzia no país mulheres de várias procedências, a maioria brasileiras.
Na operação, dez brasileiras, uma dominicana e uma tunisiana foram detidas, todas em situação ilegal no país. Elas eram obrigadas a se prostituir num clube, para supostamente pagar uma dívida contraída com a organização que as levou à Espanha.
As mulheres, com idades entre 20 e 26 anos, viajavam como turistas até os aeroportos de Portugal, Alemanha ou França, com o objetivo de desviar a atenção das autoridades espanholas.
Após a chegada aos países vizinhos à Espanha, as mulheres eram levadas de carro até a localidade de Valmojado (província de Toledo), onde eram obrigadas a se prostituir, sendo controladas pelas três pessoas que foram presas no final-de-semana.


