Curitiba - O Ministério Público (MP) de Guarapuava acredita que os sem-terra que tentaram entrar na Fazenda Coqueiros, em Foz do Jordão (115 quilômetros ao sul de Guarapuava), foram vítimas de uma ''emboscada'' armada pelos seguranças da propriedade, que pertence à Trombini Florestal. No confronto entre os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e empregados da fazenda, na manhã de anteontem, um sem-terra morreu e outros dois sem-terra e um segurança ficaram feridos.
Por determinação do secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, o MP de Guarapuava também está investigando o caso, além do inquérito policial aberto na Delegacia de Guarapuava. Sete seguranças e um sem-terra foram presos em flagrante.
A promotora de Justiça, Lucimara Erlund, disse que os indícios levantados no local do conflito apontam para a possibilidade de os sem-terra terem sido surpreendidos pelos seguranças. Ela destacou, no entanto, que essa é uma ''análise preliminar''. ''Não estamos tomando partido de ninguém. Estamos apenas tentando buscar a verdade dos fatos'', reforçou.
A Trombini Florestal alegou que os seguranças agiram em legítima defesa, revidando os tiros que teriam partido, primeiramente, dos sem-terra. Já a coordenação estadual do MST acusa os seguranças da fazenda de terem atacado os sem-terra.
Os sem-terra estão acampados desde o final de 2002, nas proximidades da Fazenda Coqueiros, às margens de uma rodovia. No domingo, eles teriam entrado na propriedade para fazer um roçado. Na terça-feira, voltaram para concluir o serviço. O MST também denunciou que dois policiais militares teriam dito aos coordenadores do acampamento que eles poderiam continuar trabalhando na área tranquilamente e que foram os policiais que entregaram os coletes à prova de balas usados pelos seguranças.
Lucimara disse que o envolvimento de policiais militares no caso não foi confirmado, mas o MP vai investigar a denúncia. ''Não descartamos essa informação'', complementou.
A Polícia Militar (PM) de Guarapuava recebeu a informação de que foi constatada na noite de terça-feira a morte cerebral do sem-terra Anaro Lino Vial, 52 anos, baleado na cabeça. O Hospital São Vicente, em Guarapuava, onde ele está internado, não confirmou a morte. A informação do hospital é de que Vial está em coma profundo e seu quadro clínico é gravíssimo.
O outro sem-terra baleado, Pedro Brasil, 52 anos, que está no Hospital Santa Clara, em Candói (76 quilômetros a oeste de Guarapuava), passa bem. Ele foi atingido por um tiro de raspão no pescoço e outro na coxa. O estado de saúde do segurança Nelson Cristiano Gonçalves Correia, 30 anos, também é estável. Ele levou um tiro no braço e está internado no Hospital Policlínicas, em Pato Branco.
O corpo do sem-terra Paulo Brasil, morto no confronto, foi enterrado ontem em Mangueirinha.

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