MP investiga orgia com adolescentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério Público (MP) do Paraná está investigando o envolvimento de políticos, empresários e autoridades na promoção de festas e orgias com adolescentes no município de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. As festas aconteciam em duas chácaras, uma no distrito de Morro Vermelho, e outra em Balsa Nova, também na região metropolitana.
As adolescentes aliciadas eram obrigadas a dançar e fazer strip-tease na presença das autoridades em troca de dinheiro e comida. Todas elas são de família humilde. De acordo com a denúncia, muitas vezes as jovens eram obrigadas a manter relações sexuais na frente dos demais participantes das ''festinhas''.
A denúncia foi apurada pelo Conselho Tutelar que repassou as informações para a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado do MP.
A Folha entrou em contato com promotores da PIC e foi informada de que as investigações correm sob sigilo.
Quatro meninas foram ouvidas nos autos: duas de 15 anos e outras duas de 17. Elas apontaram os nomes de algumas autoridades que estariam envolvidas nos esquemas de orgia.
Ontem, o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, designou o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Marcus Michelotto, para investigar as denúncias. ''Estou me inteirando das denúncias. Vou investigar com rigor'', afirmou.
Delazari prometeu que irá dar prioridade absoluta na investigação de crimes de ''prostituição envolvendo adolescentes''. ''É um escândalo'', disse ele. O secretário disse, em entrevista concedida a uma emissora de tevê em rede nacional, que vai afastar imediatamente um policial civil que está sendo acusado de participar do caso.
Um vereador acusado de envolvimento foi ouvido pela Folha e negou participação no caso. Ele acusou a oposição de estar armando uma denúncia contra ele. ''Não tem provas. Estão inventando uma coisa que não existe'', disse o vereador, cujo nome só será divulgado quando as investigações estiverem concluídas. O mesmo procedimento é adotado pela Folha em relação aos demais acusados.
O vereador classificou as denúncias como ''armação política''. Disse que não conhece as chácaras citadas e nunca participou de qualquer ''festinha''. ''Não consigo entender quem está querendo me incriminar. Eu não devo nada'', declarou.
O policial denunciado disse à Folha que as denúncias são evasivas e não procedem. ''São inverdades e que vão provocar um enorme transtorno na minha vida pessoal e profissional'', salientou.


