A Procuradoria da República de Foz do Iguaçu está investigando mais de mil nomes envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro na fronteira Brasil-Paraguai. Segundo o procurador Jessé Ambrósio dos Santos Júnior, esta fase da investigação é apenas inicial. Ele informa que há, aproximadamente, 10 mil pessoas envolvidas no esquema, entre empresários, traficantes e bicheiros, todos acusados de serem proprietários do dinheiro de origem ilítica.
‘‘Nós temos uma forte suspeita de que o desvio de dinheiro apurado pela CPI dos Precatórios saiu por aqui (Foz), através da contratação de laranjas’’, disse o procurador.
Jessé dos Santos Júnior disse à Folha que Foz do Iguaçu talvez seja a principal porta de saída do dinheiro ‘‘sujo’’ em todo o Brasil.
O esquema, segundo ele, funciona da seguinte forma: o interessado envia o dinheiro a uma casa de câmbio que contrata um ‘‘laranja’’, geralmente pessoa simples ou ‘‘fantasma’’, que usa seus próprios documentos para abrir uma conta bancária. Depois, é feita uma transferência do dinheiro para as contas CC5 (abreviatura do documento editado pelo Banco Central que regulamenta a abertura de conta e a movimentação de recursos no exterior). O dinheiro é novamente transferido para contas CC5 de instituições financeiras do exterior, quase sempre no Paraguai ou em paraísos fiscais.
‘‘Esse esquema era facilitado porque, no controle eletrônico do Banco Central, só aparecia o nome do depositante da conta, ou seja, do laranja’’, disse o procurador.
O Ministério Público está investigando 213 processos de lavagem e evasão de divisas em Foz do Iguaçu. O valor estimado da remessa de dinheiro para o exterior chega a R$ 10 bilhões.
Questionado sobre os próximos passos da Procuradoria, Jessé dos Santos Junior disse que o MP deve emitir cartas precatórias, cuja função é intimar inicialmente esses mil envolvidos no esquema de lavagem, para prestar esclarecimento sobre depósitos em casas de câmbio de Foz e retirada de altas quantias no exterior.
Na semana passada, o MP já ofereceu denúncia contra 20 pessoas. O procurador não quis revelar nomes porque, segundo ele, os inquéritos correm em segredo de Justiça. ‘‘Nós não podemos revelar informações sobre esses inquéritos. O processo é sigiloso e qualquer fato que se torne público pode prejudicar as investigações. Além disso, temos que preservar a vida dos envolvidos’’, justificou.
O procurador informou que, dentro de pouco tempo, o juiz deverá decidir sobre a continuidade das apresentações das denúncias. Segundo ele, a dificuldade é grande já que o número de intimações é muito alto. ‘‘No Brasil inteiro cerca de 10 mil nomes devem ser investigados’’, disse Jessé dos Santos Junior. (G.G.)

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