Londrina – A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina ofereceu uma ação civil por improbidade administrativa contra a servidora pública e médica Denise Kley. Ela é acusada de apresentar atestados falsos para justificar faltas no serviço. O Ministério Público (MP) investiga também outros casos de médicos da rede pública que teriam cometido irregularidades durante o trabalho.
De acordo com a denúncia contra a médica, o caso teria ocorrido em 2006. Na época, ela trabalhava para a Secretaria de Saúde de Londrina, Secretaria de Saúde de Ibiporã e Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais (Caapsml) e em alguns dias dos meses de março, abril, maio, junho, julho, setembro e dezembro teria atuado ao mesmo tempo em dois lugares. Cópias dos cartões ponto, segundo o MP, mostram que a médica cumpriu escala de manhã na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Santiago, em Londrina, e ao mesmo tempo na UBS Central de Ibiporã.
A ação, assinada pelos promotores Renato de Lima Castro e Leila Schimiti Voltarelli, descreve que "Denise Kley aproveitou-se da circunstância para em detrimento dos serviços que deveria prestar na área da saúde pública dar prioridade às (sic) suas outras atividades profissionais, exercidas em sua clínica particular ou na Caapsml". O MP aponta prejuízo de R$ 2.905,05 ao erário, conforme apontou uma auditoria.
Denise é servidora pública desde 1990 e hoje trabalha na auditoria da secretaria. "Encaminhei uma recomendação para a Prefeitura para que haja a revogação deste cargo." O secretário de Saúde, Francisco Eugênio Alves de Souza, disse que irá acatar a recomendação do promotor.
O advogado Frederico Reis, que defende a médica, negou qualquer crime praticado por ela. "Acredito que ela não tenha cometido nenhum fato ilícito. Todos esses fatos serão comprovados perante a Justiça", afirmou, em entrevista na sexta-feira.

Expediente
Segundo Castro, o MP está atento também à sindicância aberta na Corregedoria-Geral do Município, que apura irregularidades de sete médicos durante o expediente de trabalho na rede pública de saúde. A investigação da Corregedoria apura possíveis inconsistências entre o horário no registro de ponto e a escala de plantão desses profissionais em 2013.
Um outro processo administrativo aberto pela Corregedoria decidiu, em primeira instância, pela demissão de um médico, que faltou ao
trabalho e não apresentou justificativa. O profissional recorreu da decisão e por isso permanece trabalhando. (Colaborou Lucio Flávio Cruz)

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