MP investiga irregularidades no coral do Palácio Avenida
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Auber Silva - Redação Bonde 
O Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) está investigando irregularidades nas atividades desempenhadas por crianças e adolescentes que integram o coral de Natal do Instituto HSBC. De acordo com o órgão, as condições oferecidas ao elenco infantil não são compatíveis com o trabalho realizado no Palácio Avenida, na tradicional cantata de Natal.
Margaret Matos de Carvalho, procuradora do MPT-PR, encaminhou uma série de recomendações aos organizadores do evento a fim de minimizar os problemas. ''Duas horas cantando, mudando coreografia, mudando adereços, é estressante, é exigido um profissionalismo incompatível com a idade delas'', argumenta.
De acordo com Margaret, todas as crianças moram em entidades ou abrigos. Tanto no período de ensaios quanto no de apresentações, elas chegam a ficar oito horas fora das instituições. A rotina é considerada cansativa e exagerada para os meninos e meninas entre 7 e 14 anos. Durante as horas em que ficam sob os cuidados dos organizadores do evento, eles receberiam apenas pequenos sanduíches e sucos de caixinha. Além disso, teriam direito apenas a um intervalo de 15 minutos.
Outro ponto controverso são as roupas: além dos uniformes, todos precisam vestir uma bata branca e, sobre ela, um acessório de veludo. Na visão da procuradora, os paramentos representam um perigo para a saúde dos integrantes do coral. ''A roupa é quente, o local em que elas ficam não tem ventilação e a pele das crianças, em formação, faz com que elas suem mais que os adultos, aumentando a desidratação no período do espetáculo'', explica.
Atualmente, 160 menores são empregados nas apresentações, mas apenas 40 são preparados durante o ano para cantar. O restante somente ocupa todas as janelas do Palácio Avenida. Além de solicitar melhores condições e a inclusão de todas as crianças nos programas artísticos extracurriculares, o MPT-PR irá acompanhar os ensaios e as apresentações para conferir se as recomendações foram acatadas.
Em comparação com o ano passado, uma certeza é a diminuição da quantidade de dias na programação do coral. ''Queremos que passe de 12 para seis dias, com a formação de um novo grupo de 160 crianças, propiciando o revezamento delas. Assim, cada criança não faria mais que três apresentações. Também recomendamos a diminuição na duração, passando de duas horas para uma'', detalha Margaret.
Caso as recomendações não sejam atendidas, a procuradora promete entrar com ação judicial contra o Instituto.


