MP investiga excesso de sorte em loterias
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - O governo está mesmo de olho nos brasileiros que aparentam ter sorte em excesso. Desde setembro do ano passado até agora, o Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) já enviou ao Ministério Público um total de 48 nomes de pessoas suspeitas de usarem prêmios de loteria para lavagem de dinheiro.
''Nada contra os que têm sorte'', disse o presidente da Coaf, Marcos Caramuru de Paiva. O problema, explicou ele, é que a loteria é uma forma clássica e fácil de dar aparência legal a recursos obtidos de forma ilegal. O dinheiro sujo é aplicado na compra bilhetes premiados, passa a ter uma justificativa para sua origem e fica ''legalizado''. Até mesmo o Imposto de Renda é cobrado sobre ele.
A Caixa Econômica Federal (CEF) mantém oito tipos de jogos de loteria e envia para o Coaf os CPFs de todos os que apresentam bilhetes para receber prêmios. O foco de atenção são as pessoas que recebem prêmios de loteria com muita frequência. Os dados são cruzados e os casos mais suspeitos de envolverem compra de bilhetes premiados são encaminhados ao Ministério Público para investigação.
Desses cruzamentos surgiu, por exemplo, o caso de dois irmãos que ganharam mais de uma centena de vezes em questão de meses. Um deles recebeu 157 prêmios e outro, 189. Há pessoas que ganharam, num único dia, prêmios em seis tipos diferentes de loteria. Há ainda os que receberam prêmios mais de 200 ou 300 vezes num período de quatro anos.
É esse tipo de sorte excepcional que chama a atenção da Coaf. ''Temos obrigação legal de informar ao Ministério Público sobre esse tipo de ocorrência que envolve suspeita de lavagem de dinheiro'', disse Caramuru.
Os prêmios, informou o presidente da Coaf, variam de R$ 150.000,00 a R$ 1,9 milhão. ''Os valores podem não ser muito altos, mas o problema é que muitas vezes essa é a ponta do iceberg de uma atividade ilegal'', explicou Caramuru. ''A tendência mundial hoje é acreditar que o crime financeiro resulta de uma combinação de operações.'' O exemplo mais claro é o dos atentados nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, cujos terroristas foram financiados com várias remessas de valores pequenos.


