Bauru, SP, 11 (AE) - O Ministério Público investiga denúncias de fraude na coleta de lixo em Bauru, interior de São Paulo. Segundo acusação de um empresário local, as irregularidades teriam sido cometidas pela empreiteira Transpolix, que até novembro de 1998 era responsável por 33% do serviço. Uma vez que o pagamento era feito pelo peso do material retirado das ruas, a empresa adicionaria entre 2 mil e 4 mil litros de água em cada caminhão, antes que chegasse ao aterro. Assim, o lixo ficaria mais pesado. Alguns dos veículos teriam passado pela balança mais de uma vez. Empreiteira nega irregularidades.
A denúncia foi feita pelo empresário José Sebastião Teixeira ao promotor Carlos Roberto Simioni, da Cidadania e do Patrimônio Público, que abriu inquérito civil para apurar a responsabilidade no caso. Teixeira disse ter constatado a irregularidade em setembro de 1998, quando foi ao aterro para montar um negócio de reciclagem e viu que caminhões da Transpolix chegavam molhados e passavam duas vezes pela balança. Segundo ele, os da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) - empresa pública que faz o restante da coleta - despejavam o lixo seco.
Entulho - O motorista Luiz Henrique Rosalin, que trabalhou seis meses na Transpolix, confirmou as informações do empresário ao MP. Rosalin disse que o caminhão já saía da garagem com água na corroceria compactadora de lixo. Também afirmou que era orientado a coletar não só lixo doméstico, mas entulhos, madeiras e móveis velhos. Hoje, Rosalin é motorista da Emdurb.
A Transpolix começou a prestar serviços em Bauru em 1995 e teve o contrato rescindido em novembro de 1998. O prefeito Nilson Costa (PPS) disse que cancelou o contrato ao surgirem as dúvidas. O diretor-superintendente da empreiteira, Luiz Carlos Russo Pereira, contesta a informação e diz que a rescisão ocorreu em razão da falta de caixa da prefeitura. Pela quebra do contrato, o município estaria impedido de usar outra empreiteira
tendo de fazer a coleta por meios próprios até 22 de novembro, quando o contrato chegaria ao fim.
Pereira afirma que a Transpolix aguarda a convocação do MP para dar explicações e exigir provas. "O lixo já tem entre 30% e 40% de umidade", disse. "Além disso, é acondicionado em sacos plásticos, o que tornaria inviável a adição de água". Pereira garante que pode processar Teixeira e exigir reparação por danos morais.

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