MP investiga crime ambiental em Mandirituba
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público (MP) estadual abriu procedimento investigatório preliminar para apurar a denúncia de crime ambiental no município de Mandirituba, Região Metropolitana de Curitiba. O crime teria sido praticado pela Prefeitura Municipal, que teria aterrado uma represa, reduzindo a vazão do Rio dos Patos. Outro problema destacado na denúncia seria a construção de um prédio em Área de Preservação Permanente. De acordo com o autora das denúncias, a ambientalista Lídia Lucaski, o rio era frequentado pela população local, que retirava o lixo em mutirão e pescava no lago artificial formado pela represa.
O rio foi dragado com duas manilhas de 80 centímetros de diâmetro, segundo a denúncia, aterrando o lago artificial que tinha 6 mil metros quadrados. ''A situação é dramática. O aterro criou uma forte erosão, os peixes morreram, as garças que frequentavam o local migraram para outras áreas. Eles modificaram todo o nosso ecossistema'', relatou Lídia Lucaski. Ao lado do antigo lago, foi feita uma construção de 15 metros de altura. De acordo com a ambientalista, a área não podia ter sido modificada para construção de prédios.
''Eles acabaram com a margem esquerda do rio. Olhando para o local, só conseguimos enxergar restos de construção civil, argila malcheirosa, telhas e árvores seculares soterradas. É uma barbaridade'', indignou-se a ambientalista. Lídia Lucaski disse que a população local, formada por 17 mil pessoas, está nervosa com as consequências das obras para o centro de Mandirituba. Em janeiro, época de chuvas, o rio tende a encher. ''A canalização feita pelo prefeito é insuficiente. A manilha está caindo porque foi feita em cima do lago. Algo tem que ser feito para parar os desmandos desse prefeito, que parece ser intocável'', complementou.
Essa não é a primeira denúncia feita contra o prefeito Luiz Carlos Chemin Claudino (PP). Uma série de fotografias de danos ambientais, inclusive na formação de um parque local, foi anexada ao procedimento investigatório que está no Ministério Público.
A terra usada para aterrar a área teria sido retirada de um local de domínio da União, 35 metros da BR-116. O MP informou ontem que a promotoria oficiou no último dia 6 o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o Batalhão de Polícia Florestal (BPflor) e a Polícia Federal (PF) para que verifiquem a veracidade da denúncia.
A Delegacia do Meio Ambiente recebeu a denúncia no último dia 13. O prefeito Chemin negou ontem que tenha causado qualquer tipo de dano ambiental em Mandirituba. De acordo com ele, foi feita uma contenção no lago para evitar enchentes com a devida autorização do governo do Estado, através da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos do Paraná (Suderhsa). ''Pedimos licença e canalizamos parte do Rio dos Patos. Não houve mortandade de rios. Estamos dragando para deixar o local limpo'', justificou ele.
Quanto à construção de prédio em área de APP, Chemin informou que apenas está fazendo a ampliação de uma escola que funciona na região. No novo prédio irão funcionar uma biblioteca, salas de música e um anfiteatro com 600 lugares. ''Não fizemos estrago nenhum. Limpamos o lago que estava assoreado'', complementou.


