Curitiba - O Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu ontem, pela manhã, mandados de busca e apreensão nas casas de membros do alto escalão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), como as residências do diretor-presidente, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, e do diretor jurídico, Luciano Tinoco Marchesini.
Ao todo foram cumpridos 14 mandados judiciais de busca e apreensão não só em residências, mas também em escritórios de funcionários do IAP. Além do diretor-presidente e do diretor jurídico, também estão sendo investigados o chefe da Diretoria de Controle de Recursos Ambientais (Diram) do IAP, Venilton Pacheco Mucillo, o engenheiro florestal da Diram, Jackson Luiz Vosgerao, e o ex-chefe do escritório regional do IAP em Paranaguá, Cyrus Augustos Moro Daldin. A operação do MP deflagrada ontem foi batizada de Superagui.
Segundo informações do MP, o grupo é investigado por participação num esquema ilegal de concessão de licenças ambientais (artigos 67 e 69A da Lei 9605/98) e associação criminosa (artigo 288 do Código Penal). Na ação, coordenada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Paranaguá e pela Coordenação Regional da Bacia Litorânea, com apoio do Gaeco, foram apreendidos computadores, celulares e documentos diversos em Curitiba, Paranaguá (Litoral) e Jacarezinho (Norte Pioneiro).

DENÚNCIA

A promotora de justiça e coordenadora da Bacia Litorânea, Priscila da Mata Cavalcante, explicou que a investigação começou a partir de uma denúncia apresentada ao MP, em fevereiro, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que fiscaliza o Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange, no Litoral Paranaense. O ICMBio apresentou um auto de infração denunciando o corte ilegal de árvores em 12 hectares da Mata Atlântica no Paraná, próximo ao Saint-Hilarie. Segundo o MP, o corte da vegetação foi feito pela empresa Green Logística para a construção de um pátio de caminhões em Paranaguá. Há suspeita de fraude nas licenças ambientais concedidas pelo IAP para essa empresa.
O MP vai analisar o material apreendido ontem na Operação Superagui. Na casa de um dos investigados, foram apreendidos R$ 649 mil em dinheiro. "O Saint-Hilaire é uma área protegida. O MP tem como obrigação proteger a Mata Atlântica. Eu até peço às pessoas que denunciem qualquer conhecimento que elas tenham sobre danificação da Mata Atlântica, porque o Litoral do Paraná é o nosso remanescente brasileiro de Mata Atlântica. O MP tem essa missão de preservar o meio ambiente e investigar e responsabilizar os infratores", afirmou Priscila Cavalcante. A FOLHA não conseguiu fazer contato com a empresa Green Logística.

LIMINAR

Conforme o MP, a Justiça determinou há um mês o afastamento dos cinco investigados das funções públicas que exercem no IAP. Porém, na última sexta-feira, o diretor-presidente do instituto conseguiu liminar cassando seu afastamento. Os demais continuam afastados. O MP informou também que todos os investigados já respondem ação penal perante o Juízo da 1.ª Vara Criminal de Paranaguá. O presidente do IAP também responde a três ações de improbidade administrativa e abuso de autoridade.

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