MP investiga atos de violência no Cadeião de Santo André; local abriga menores da Febem
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 31 (AE) - O Cadeião de Santo André voltou a ser palco de violência. Sete monitores e 46 internos da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) sofreram escoriações, cortes e pancadas na cabeça durante confronto na noite de sexta-feira. Nessa unidade estão internados 140 menores infratores com idade entre 15 e 18 anos, que aguardam decisão do juiz da Infância e da Juventude. A maioria cometeu homicídios e assaltos violentos, informou a assessoria de Imprensa da Secretaria de Assistência e de Desenvolvimento Social.
O presidente do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do ABC, Ariel de Castro Alves, informou que as agressões teriam começado às 22 horas, quando 50 monitores entraram no módulo palha, acompanhados de dois policiais civis. O objetivo era trancar adolescentes que teriam arrebentado cadeados das celas, depois de terem ficado trancafiados durante toda a semana sem tomar sol e dormindo apenas de cueca no chão. "Os jovens relataram que monitores entraram com pedaços de paus e barras de ferro agredindo todo mundo", disse Ariel.
"Ao ouvirem os gritos dos companheiros, os internos do módulo azul se amotinaram e aguardaram; quando os funcionários entraram jogando água e detergente no chão, a briga começou". Exames - Hoje, promotores de Justiça, da Infância e da Juventude e um médico legista do Instituto Médico-Legal (IML) de Santo André submeteram os feridos a exame de corpo de delito. "O que nos preocupa é que na recepção encontramos dois policiais civis armados com pistolas 45 e 380, além de uma carabina calibre 12"
disse o promotor Ebenezer Salgado Soares.
No dia 21, o então diretor-geral do cadeião, Vicente Paulo da Silva, foi destituído, acusado de ser conivente com a fuga de 22 internos dois dias antes e com os atos de indisciplina. Em seu lugar, assumiu José Cavalcanti, considerado "rigoroso com a disciplina".


