Porto Alegre - A promotora de Canguçu (RS) Camile Balzano de Mattos pediu ontem ao Judiciário a intimação do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile para uma audiência preliminar pelo delito de incitação ao crime. Neste tipo de audiência, a promotora deve propor ao autor do fato (assim designado porque ainda não foi acusado) uma pena de prestação de serviços comunitários ou o pagamento de multa de R$ 1,5 mil, por se tratar de um ato de menor gravidade.
Se Stédile aceitar a proposta, ela será homologada pelo juiz. Caso contrário, a promotora deve denunciar o líder do MST e ele perderá a chance de evitar a abertura de processo, explicou o subprocurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Mauro Renner.
O fato que motivou a intimação foi um discurso de Stédile, em julho, em Canguçu (RS), na região sul do Estado, a 298 quilômetros de Porto Alegre. ''A luta camponesa abriga hoje 23 milhões de pessoas. Do outro lado há 27 mil fazendeiros. Essa é a disputa'', definiu Stédile. O líder do MST se referiu aos sem-terra como ''nosso exército'' e aos fazendeiros como ''inimigos''.
O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, e o presidente da Comissão de Agricultura da Assembléia, Jerônimo Goergen (PP), apresentaram ao Ministério Público uma notícia-crime contra Stédile, argumentando que ele agiu contra a paz pública.
O MST informou, por intermédio do porta-voz Miguel Stédile, que ainda não tinha conhecimento da intimação e acrescentou que a notícia-crime se deve a declarações feitas em Canguçu que foram distorcidas. ''Esperamos que o MP tenha discernimento para investigar quem incita a violência'', disse ele. O movimento afirmou que não houve manifestação oficial do MP sobre ''símbolos concretos de violência'' que gostaria que fossem investigados, como os panfletos apócrifos distribuídos em São Gabriel (RS) na noite do dia 16 de junho. Os panfletos classificavam os sem-terra de ''escória humana'' e surgiram depois que o movimento havia começado uma marcha no Rio Grande do Sul pedindo o retorno do processo de desapropriação de 13.222 hectares em São Gabriel, suspenso pela Justiça.

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