Natal, 08 (AE) - O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Norte investiga a denúncia da Secretaria de Finanças da prefeitura de Natal de que, em novembro de 1996, o então prefeito, engenheiro Aldo Tinôco Filho, teria vendido indevidamente ações da antiga Telern, companhia telefônica do Estado, sem motivos que justificassem o negócio.
As ações foram vendidas por R$ 280,7 mil. O negócio foi realizado pela corretora Prevbank, do Rio. Se o caso se transformar em processo cível, Tinôco Filho poderá ter os direitos políticos cassados por um período entre três e oito anos e pagar multa em dinheiro em até três vezes o valor da venda. De acordo com o relatório enviado pela Secretaria de Finanças, Tinôco Filho teria autorizado a contratação da Prevbank para vender ações da Telern pertencentes à prefeitura. Do total de R$ 280,7 mil referentes à venda das ações, só entraram nos cofres do município R$ 252,6 mil. O MP quer saber onde foram parar os R$ 28,1 mil restantes.
O ex-procurador-geral do município Otacílio Bocaiúva, que enviou a denúncia ao MP, disse que o principal ato falho na transação é que não há "interesse público" na venda. "Não foi informada à sociedade a qual pertencia as ações o interesse da venda e a destinação dos recursos", acrescenta.
Tinôco Filho, que está em Brasília, declarou que não se recorda da venda das ações. "A venda foi realizada sob orientação de um contador de nome João Maria." No pleito de 1998, o ex-prefeito tentou, sem sucesso, uma vaga na Câmara Federal, tendo pouco mais de 5 mil votos.

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