MP interdita lotes de azeitona e bacalhau em atacadista de Ribeirão Preto
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Brás Henrique, especial para a ae 
Ribeirão Preto, 28 (AE) - O promotor de Justiça de Cravinhos Wanderley Trindade interditou hoje lotes de azeitona, com prazo de validade vencido, e de bacalhau, suspeito de ter a data de validade adulterada, na sede da empresa atacadista Adriano Coselli, em Ribeirão Preto, a 310 quilômetros de São Paulo. Trata-se de uma das três maiores importadoras e distribuidoras de alimentos do País.
No sábado (26) à tarde foram apreendidas cerca de 210 toneladas de bacalhau importado - a empresa diz que foram apenas 20 toneladas - por causa da suspeita de adulteração de prazo de validade do produto. A apreensão foi em um depósito de Cravinhos. O Ministério Público chegou ao local após denúncia e prendeu quatro pessoas.
O advogado da Adriano Coselli, Abrahão Issa Neto, repudia as acusações e afirma que a área do depósito pertence à Coselli, mas que a administração é terceirizada.
O Ministério Público e a Polícia Militar constataram sábado que o bacalhau passava por um processo de maquiagem: primeiro, era limpado com escova de aço, depois com escova de cerdas plásticas, em seguida salgado novamente, em alta temperatura, embalado e devolvido ao mercado. As datas de validade eram adulteradas.
Foram encontrados alimentos fabricados em 1996 e com nova data de validade até 2001. Havia problemas também na massa de tomate (com bichos), azeitonas (quase 8 mil vidros, inclusive com pesagens adulteradas) e uvas passas (uma tonelada).
Lacre - "Estamos lacrando as câmaras frias da empresa e não temos pressa em apurar as irregularidades", disse Trindade, após analisar documentos e questionando a justificativa de um dos advogados da empresa, de que o depósito de Cravinhos era utilizado apenas para o descarte de produtos vencidos.
"Por que, então, estavam ressalgando o produto e colocando nova data de validade nas embalagens?", perguntou o promotor. "É uma fábrica de falsificação de produtos alimentícios da Coselli, com máquinas e embalagens de empresas argentinas."
Prisão - Duas funcionárias da empresa e dois gerentes do atacadista foram presos em flagrante no sábado (26), sem direito à fiança. Trindade fez várias acusações: sonegação fiscal, falsidade ideológica (trocas de embalagens com nomes diferentes)
crime contra a saúde pública e contra a relação de consumo e formação de quadrilha. O procurador pode pedir a prisão preventiva do dono da empresa, Adriano Coselli, que é vice-cônsul da Itália (onde nasceu) em Ribeirão Preto
"O volume interditado é grande e exigirá análise mais detalhada", disse o chefe da Divisão da Vigilância Sanitária municipal, Carlos Alberto Davilla de Oliveira. Alguns produtos foram encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz e outros para um laboratório de Campinas, do Ministério da Agricultura.
Defesa - "Em 40 anos de atividade, a empresa primou pela qualidade de seus produtos e repudia todas essas acusações", afirmou Issa Neto, acrescentando que a diretoria da Coselli ficou surpresa com a nova embalagem do bacalhau apreendido. "Isso causou espanto, pois o bacalhau deveria ser destinado para ração animal e vamos abrir uma sindicância interna para apurar esse fato e punir os responsáveis." A empresa, com cerca de 600 funcionários, distribui cerca de 3,5 mil produtos em 1,2 mil cidades de seis estados brasileiros. Em 1997 a empresa teve problemas com centenas de softwares pirateados.


