MP inicia investigações hoje
MP inicia investigações hoje
O Ministério Público inicia hoje em Curitiba investigação para apurar as denúncias de tortura, espancamento e ameaças de morte contra seis trabalhadores rurais sem-terra.
O advogado Darci Frigo, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entregou ontem na Procuradoria-Geral de Justiça um pedido de representação para que sejam investigados abusos cometidos por policiais militares durante desocupações.
Os primeiros a ser ouvidos serão os seis agricultores presos na desocupação da Fazenda Santa Maria, em Ortigueira, no dia 29 de abril. Dois sem-terra, Valdecir Bordignhon e Lorival Lesse, acusam policiais de serem obrigados a comer esterco, além de passar por sessões de afogamento e sofrer golpes de cassetete.
Os depoimentos começam hoje, a partir das 8h30, na Promotoria de Direitos e Garantias Constitucionais. De acordo com o advogado Darci Frigo, os sem-terra têm condições de identificar os policiais que participaram das sessões de tortura.
Frigo solicitou que os PMs sejam submetidos ao reconhecimento dos seis sem-terra, que ficaram presos durante 41 dias sem acusação formal. Se não houver o reconhecimento, nunca vamos saber quem fez a tortura, afirmou o advogado.
Junto com o pedido de abertura de uma investigação para apurar os acontecimentos da operação policial na Fazenda Santa Maria, Darci Frigo encaminhou um relatório feito pelo presidente nacional da CPT, Dom Tomás Balduíno, durante conversas feitas com os seis agricultores no presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. Um exemplar da última edição da revista Caros Amigos também foi encaminhado para o Ministério Público.
A revista traz reportagem de 10 páginas sobre as operações de desocupação promovidas pelas polícias Militar e Civil no Paraná entre os meses de abril e maio. Para um dos sem-terra que alegam ter sido torturados, a abertura de uma investigação oficial só irá confirmar o que eles já denunciaram.
Acho que é possível chegar aos culpados se houver boa vontade do Ministério Público, disse Valdecir Bordignhon. Segundo ele, o governador Jaime Lerner apenas está jogando com a opinião pública.
O governador quer dizer que nunca feriu os direitos humanos no Estado, comentou. Por outro lado, o governo também reúne documentação para provar que não houve irregularidades nas operações de despejo. (D.V.)





