Curitiba- O Ministério Público (MP) do Trabalho no Paraná e a Superintendência Regional do Trabalho encontraram, ontem, 27 trabalhadores em situação degradante no município de Cerro Azul, a 92 km de Curitiba. Entre eles, quatro adolescentes de 13 a 15 anos e, segundo o superitendente regional do trabalho substituto, Sergio Silveira de Barros, foram encontradas também três crianças de 9 anos no local.
De acordo com o procurador do MPT, Luercy Lino Lopes, eles trabalhavam na colheita de tangerina em condições precárias. Sem acesso à água potável e instalações sanitárias, os trabalhadores também não possuiam registro em carteira, nem equipamentos de proteção. O transporte dos trabalhadores era feito na carroceria de tratores, nas caixas utilizadas para embalagem das frutas. Durante todo o dia, o procurador e os auditores fiscais permaneceram no local colhendo depoimentos.
Para Sergio Silveira de Barros, a descoberta é ''apenas a ponta do iceberg''. ''Nesta época de colheita, é comum que famílias, inclusive as crianças, se envolvam no trabalho'', explica. Se for comprovado a situação de trabalho degradante ou escravo, o empregador pode ser multado de 370 a 3.700 Ufir - cada Ufir vale R$ 1,064 - e ter seu nome incluído no cadastro de exploradores de mão-de-obra escrava.

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