Londrina - A Promotoria de Defesa das Pessoas com Deficiência fechou uma casa de repouso clandestina localizada no Conjunto Maria Celina, Zona Norte. O estabelecimento funcionava sem licenciamento e alvará. Cinco pessoas viviam de forma precária no local e, no momento da fiscalização, eram cuidadas por uma adolescente de 15 anos.
Em um quarto com menos de oito metros quadrados foram montadas três camas. Duas pessoas com deficiência eram mantidas nesse cômodo, uma delas é amputada e estava bastante debilitada. ''Ele tem escaras de pressão, feridas por ficar muito tempo deitado. A fralda colocada nele está há mais de um dia no corpo'', enfatizou a presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Paola Ortiz. O outro quarto foi construído de forma improvisada na área de serviço - as paredes eram tapumes e algumas telhas de amianto estavam quebradas. O espaço era ocupado por dois idosos e uma pessoa com deficiência mental.
Os moradores dividiam o mesmo banheiro. ''A instalação elétrica é precária, ventilação irregular, faltam barras de apoio às pessoas com deficiência, o vaso sanitário não tem tampa e há ausência de material de limpeza'', descreveu o coordenador da Vigilância Sanitária, Rogério Lampe. Os fiscais autuaram o proprietário do imóvel e interditaram o estabelecimento. A multa aplicada chegou a R$ 17 mil.
Servidores da Secretaria de Fazenda notificaram o proprietário da casa de repouso para que as atividades sejam encerradas em até sete dias, como preconiza a lei 11.468/2011, incisos 1 e 2. O zoneamento urbano sequer permitia o funcionamento do estabelecimento no bairro.

Reincidente

Adriana Simone Granato e Eliano Marcos da Silva vão responder processo criminal por exploração de atividade econômica sem autorização. Esta foi a quinta vez que a dupla foi flagrada nessa atividade. ''É uma contravenção penal. Por serem reincidentes, agrava ainda mais porque todos aqueles benefícios que a lei concede, eles perdem'', afirmou a promotora Solange Vicentin.
Os idosos não portavam os próprios documentos. Segundo eles, as identidades e cartões de benefícios sociais ficaram em posse de outras pessoas. ''Nessa situação, os documentos ficam em poder da dona da casa e é ela quem recebe o benefício previdenciário, como forma de custear a moradia. Infelizmente, isso é comum'', revelou o presidente do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa (CMDI), André Luis dos Santos Silva.
Dois dos três idosos que viviam no abrigo foram encaminhados para o Asilo São Vicente de Paula e Lar dos Vovozinhos - o terceiro revelou que voltaria a morar com parentes. As pessoas portadoras de deficiência foram levadas para a Casa do Bom Samaritano.
Adriana Granato não apareceu durante a fiscalização. Eliano Silva se negou a falar com a imprensa.

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