Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual denunciou, na última sexta-feira, seis pessoas envolvidas em um suposto golpe contra a Eletrobrás e a Petrobras por formação de quadrilha e corrupção ativa. De acordo com a denúncia, os advogados João Bosco Coutinho, de Pernambuco, Michel Saliba Oliveira, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Curitiba, José Lagana e José Xavier da Silva; o analista de sistemas Cláudio Luiz Agner Rodrigues; e o publicitário Sinei Geraldo de Oliveira Silva são suspeitos de formar quadrilha e tentar corromper gerentes de bancos para resgatar títulos supostamente prescritos das duas estatais. O pedido de abertura de ação penal está na 4 Vara Criminal de Curitiba.
O caso, batizado de operação Big Brother, foi investigo pela Polícia Federal desde 2003 depois que alguns membros da suposta quadrilha procuraram gerentes do Banco do Brasil com o intuito de corrompê-los para que a transferência do dinheiro dos títulos fosse facilitada. Lagana e Saliba são acusados de entrar com ações na Justiça para resgatar os títulos, que já estariam vencidos, das duas estatais. Por isso a necessidade da ajuda dos gerentes. No início do ano, nove suspeitos já foram processados pelos mesmos crimes e também por estelionato na Justiça Federal. Entretanto o Tribunal Regional Federal (TRF), 4 região, em Porto Alegre, trancou a ação penal por estelionato e passou a competência do caso à Justiça Estadual.
O advogado de Saliba, Beno Brandão, desqualificou a denúncia do MP com o argumento de que não apresenta data da formação da quadrilha. ''Os crimes (a tentativa de corromper os gerentes) aconteceram em novembro de 2003 e junho de 2004. E a Polícia Federal afirma que o Saliba só foi contactado em julho de 2004. Por isso queremos que o juiz rejeite a denúncia porque não há justa causa. Melhor ainda se ele, o juiz, pedir para o MP especificar a data'', afirmou. Brandão explicou que o mesmo vale para Lagana. Além disso, Brandão argumentou que a TRF já entendeu que não existe crime em entrar com a ação para resgate dos títulos.
''Já enfrentamos a mesma coisa em esfera federal e temos certeza que vai ter o mesmo fim. É algo que a discussão fática não caracteriza crime. É uma denúncia sem força nenhuma'', argumentou Cláudio Dalledone Júnior, advogado de Coutinho, acusado pelo MP de ser o cabeça da quadrilha. O advogado de José Xavier da Silva e Sinei Silva, Almir Mendes, afirmou que ainda precisa estudar a denúncia mais a fundo antes de se pronunciar. A reportagem da Folha não conseguiu localizar Rodrigues e nem seu advogado.

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