Cariacica, ES, 30 (AE) - O Ministério Público (MP) entrará na segunda-feira (03) com uma ação de improbidade administrativa contra os 13 vereadores da Câmara de Cariacica (Grande Vitória), presos ontem (29) acusados de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Os promotores vão interpor ainda liminar pedindo o afastamento imediato dos parlamentares das funções até o julgamento da ação.
"A nossa intenção é evitar que eles retornem ao cargo, caso o Tribunal de Justiça (TJ) conceda habeas-corpus", disse o promotor Leonardo Barreto.
Até o fim da tarde de hoje, os advogados dos 13 vereadores, entre os quais o presidente da Câmara, Rogério Santório (PMDB), não haviam procurado do TJ. Além dos parlamentares, estão presos a mulher de Santório, Daise Coelho, a cunhada Maria Isabel Coelho Vieira e a assessora Helena Pereira do Nascimento - todas lotadas no gabinete da presidência.
Segundo a denúncia do MP, o grupo montou sofisticado esquema de desvio de verba pública da Câmara para benefício próprio, batizado de "Rachid". Dos 206 servidores da Casa, 172 eram fantasmas e, por meio de uma autorização de débito automático, transferiam os salários para a conta dos vereadores. Somente Santório teria desviado, nos últimos três anos, mais de R$ 2,2 milhões. O MP calcula que a quadrilha desviou, em três anos, cerca de R$ 4 milhões.
Com o controle do esquema de corrupção nas mãos, Santório usava laranjas para evitar que o próprio nome aparecesse ligado ao desvio de verba. No gabinete, estavam lotados 57 servidores comissionados - a maioria, fantasmas. Os principais "laranjas" do parlamentar eram a cunhada, que mora nos Estados Unidos, e Helena.
Por procuração, Maria Isabel autorizava que a mulher do presidente da Câmara movimentasse a conta bancária dela, que recebia, além dos vencimentos, os de mais seis assessores. Entre fevereiro de 1997 e maio de 1999, os créditos autorizados na conta corrente de Maria Isabel em favor de Daise e do marido foram, no total, R$ 1,34 milhão.
"Todo o dinheiro proveniente dos vencimentos dos assessores parlamentares do chefe do Poder Legislativo era utilizado para pagamento de contas pessoais do casal", afirmam os promotores. Com a "laranja" Helena, a movimentação bancária foi de quase R$ 700 mil, entre março de 1999 e março desse ano. Na conta da assessora, eram depositados os salários das "fantasmas" Ernestina Chiabai Silva, Luzia Chiabai Trento e Nelcina Rita da Silva.
Ernestina é tia da mulher do presidente da Câmara, tem 82 anos e, por motivos de doença, não sai de casa há anos. Luzia
também tia de Daise, foi nomeada assessora da bancada do PPB, mesmo sem o partido ter representação na Casa. Já Nelcina é empregada doméstica de Santório e ocupa cargo de encarregada de zeladoria da Câmara de Cariacica.

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