Curitiba - O Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) vão abrir investigações para apurar as irregularidades no Fundo Rotativo da Polícia Civil. Metade dos 399 municípios do Estado não tem sequer um policial civil, mas teria recebido, entre 2004 e 2011, R$ 22,6 milhões em recursos. Em diversos casos, estruturas abandonadas seguiram recebendo dinheiro para manutenção.
Somente nas regiões Norte e Norte Pioneiro, 31 cidades que não contam com policiais civis receberam R$ 3,6 milhões durante oito anos. Entre eles estão Sabáudia (R$ 283.070), Itambaracá (R$ 224.230) e Jundiaí do Sul (R$ 200.840).
O fundo rotativo, criado em 1992, destina recursos para manutenção de delegacias e viaturas e pagamento de material de consumo e de pequenos serviços. As supostas irregularidades foram denunciadas pelo jornal Gazeta do Povo.
O presidente do TCE, Fernando Guimarães, informou que a 5 Inspetoria de Controle Externo do órgão, responsável por fiscalizar as contas da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), vai iniciar um trabalho específico sobre o fundo rotativo da Polícia Civil. Além disso, vai instaurar um plano de trabalho para identificar os responsáveis pelas fraudes, e pedir a desvinculação da prestação de contas dos fundos estaduais das prestações de contas das secretarias.
O MP informou que vai ''instaurar um procedimento investigatório por meio da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, para apuração de responsabilidades''.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) deve propor hoje, na Assembleia Legislativa, a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as condições de todas as delegacias do Estado.
O governo estadual também anunciou medidas para controlar os gastos do fundo rotativo. ''A Corregedoria da Polícia Civil vai abrir sindicância para apurar todas as denúncias. Todos os envolvidos serão punidos e vai haver grandes mudanças na gestão do fundo'', destacou ontem o governador Beto Richa (PSDB).
Entre as mudanças anunciadas está a resolução que prevê o repasse da gestão do fundo rotativo para 27 delegados-chefes de divisões e subdivisões policiais. Hoje cada delegado é responsável pelo dinheiro do fundo.

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